Vereadores voltam a exigir presença do prefeito

Vereadores de oposição e alguns da base aliada do prefeito Iradilson Sampaio (PSB) discordaram da justificativa do chefe do Executivo Municipal, acerca da sua explicação, por meio de um ofício encaminhado à Casa Legislativa. No documento, ele esclarece aos parlamentares os motivos de não ter atendido o requerimento 058/2011, de 8 de novembro de 2011, que pedia sua convocação à Câmara Municipal.

Iradilson foi convocado pela Casa Legislativa para explicar aos vereadores, o motivo da Prefeitura de Boa Vista não ter respondido o requerimento 050/2011, de 5 de setembro passado. Esse documento pede explicações sobre licitações e contratos da Prefeitura de Boa Vista com as empresas prestadoras de serviços.

O vereador Josiel Vanderlei (PSDB) foi um dos que contestou o ofício do prefeito, encaminhado aos parlamentares presentes na sessão plenária desta terça-feira (22). O parlamentar defendeu o comparecimento de Iradilson na Câmara.

“É um absurdo o que Iradilson está fazendo com esta Casa. Mas isso não é muito diferente, como ele vem fazendo com a população da nossa capital, que sofre com o descaso deste prefeito. Quando eu digo que ele não tem mais compromisso político com nada, eu me refiro também a este exemplo de ofício enviado por ele”, destaca o parlamentar.

No ofício enviado por Iradilson à Casa Legislativa, ele sustenta o não atendimento no prazo concedido pelo requerimento n°050/2001, do dia 5 de setembro passado, “deu-se em virtude de problemas alheios à nossa vontade, uma vez que, tão logo recebemos o requerimento, emitimos aos órgãos responsáveis pelos processos”.

Ainda de acordo com o ofício, “foi plenamente atendido conforme se depreende pelas cópias do ofício da SMOU, de 7 de novembro de 2011 e do ofício GAB/SEPF, (Secretaria Municipal de Planejamento e Finanças) de 9 de novembro de 2011,que encaminharam as cópias dos processos a esta Casa Legislativa”.

Segundo Josiel Vanderlei, o prefeito quer se eximir da sua responsabilidade, alegando já ter esclarecido os fatos questionados pelos vereadores. “Esta Casa vai continuar a insistir do Iradilson, justificativas coerentes. Quer dizer que só pelo fato de ter dois ofícios encaminhados à Câmara, ele não deve comparecer nesta Casa? Não trabalhamos desta forma. E a maioria dos vereadores concorda comigo”, frisa.

Convocação

No dia 16 de novembro, sete vereadores assinaram um pedido de convocação do prefeito Iradilson à Câmara Municipal, no prazo de sete dias. A solicitação de comparecimento foi feita pelo vereador de oposição Josiel Vanderlei (PSDB).

Os vereadores Telmário Mota (PDT), Chico Doido (PPL), Josiel Vanderlei, Manoel Neves (PRB), Dunga (PRTB), Pelé (PDT) e Mário Márcio (PRP) também concordaram com a solicitação.

O requerimento

O requerimento 050/2011, em questão, solicita explicações da Prefeitura sobre os contratos com empresas que prestam serviços à administração municipal. No total são sete empresas.

Dessas, cinco são direcionadas à Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo (SMOU). A instituição já foi alvo da Operação Alvorada, desencadeada pela Polícia Federal no mês de maio. A ação consistia na busca e prisão de envolvidos em um esquema de desvio de combustíveis no Posto de Abastecimento da SMOU.

Os vereadores também ambicionam todos os contratos que a Prefeitura tem com empresas relacionadas no requerimento expedido no mês de setembro pela Câmara. O questionamento é saber como foi feita a licitação, se realmente as empresas ganharam pela concorrência pública e, se isso envolve a Secretaria de Obras.

Resposta de Iradilson desagrada até a base aliada

Mauricélio Fernandes, líder do prefeito, disse que conversou com os vereadores sobre o ofício e ressaltou que até os parlamentares da base aliada ficaram insatisfeitos com a postura do chefe do Executivo.

“No meu entendimento, tudo já foi esclarecido. Mas alguns colegas da base aliada do prefeito não concordaram com o ofício encaminhado por ele. E os vereadores de oposição também foram contra. A maioria dos meus pares está insatisfeita com esta situação”, revela.

Conforme explicou, Iradilson já mandou todas as informações para concluir o assunto. “Como não houve um entendimento pela maioria dos vereadores, vou conversar com o prefeito para buscarmos outra solução. Eles querem o comparecimento dele”, diz.

Grupo de guardas municipais desenvolve projeto

Segundo o último censo realizado pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil tem 16,2 milhões de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza. Este número representa 8,5% da população. Ainda conforme o levantamento, 4,8 milhões não possui renda e 11,3 milhões possuem renda de R$ 1 a R$ 70.

Todos estes números, nos quais estão inclusas crianças vulneráveis socialmente, é um dos focos do Projeto Anjinhos da Guarda, desenvolvido por um grupo de seis guardas municipais voluntários. A ação compreende no incentivo a prática de esportes e é realizada desde 14 de setembro deste ano.

Elevado Número de Ocorrências

Ao todo, 80 crianças, entre 6 e 12 anos são atendidas. A ação é realizada todos os sábados, das 8h às 10h30, na Escola Municipal Ioládio Batista, no bairro São Bento. O local foi escolhido devido ao elevado número de jovens vulneráveis socialmente, tanto na escola, quanto nas redondezas.

De acordo com Williams Monteiro, coordenador do projeto, a ação solidária foi iniciada após a constatação de um número elevado de ocorrências criminosas envolvendo crianças.

“A maioria das nossas ocorrências envolvem crianças de 8 a 10 anos, que praticam crimes, como furtos, uso de entorpecentes, entre outros, e vimos no esporte a saída para esses jovens”, disse.

Criança pede Ajuda

Dentre os esportes praticados durante a ação, estão: Capoeira, Karatê e Futebol. Além disso, os alunos também recebem lições de cidadania. O coordenador contou a equipe do Jornal Roraima Hoje (RH) um fato curioso. Há alguns meses, um jovem, de 14 anos, o procurou pedindo ajuda, pois estava no mundo das drogas e do crime.

“O aceitamos no projeto, mesmo ele não estando mais na idade. Hoje ele é um dos nossos auxiliares nas atividades”, contou.

Assim como outros diversos projetos voluntários desse viés, a ação não conta com o apoio do Governo do Estado e Prefeitura de Boa Vista (PMBV). A intenção do grupo é difundi-lo para outras unidades, mas para isso é necessário apoio. Todos os materiais hoje utilizados são fruto de doações. Para doar ou obter mais informações, os números 9121 3813 e 8103 3041 estão a disposição de toda a sociedade.