Safra de arroz 90% maior em culturas mistas
Os lavradores chineses dão o exemplo. Em vez de seguirem as monoculturas
adotadas em todo o mundo, os lavradores da província Yunnan plantaram
uma mistura de diversos tipos de arroz. Um método usado antigamente
de forma padronizada leva hoje a resultados surpreendentes. Os
lavradores colheram quase 90% mais arroz do que seus colegas com as monoculturas
e
puderam reduzir em 94% o pesado ataque dos fungos.
A razão disso está no fato de que os predadores avançam
facilmente no campo em que todas as plantas são geneticamente idênticas.
Vencem rapidamente a resistência natural das plantas e também
se tornam resistentes aos pesticidas e fungicidas aplicados. Por isso, a
monocultura exige o uso constante de novos e venenosos agrotóxicos.
Um círculo vicioso infernal que pode ser combatido com o método
simples das culturas mistas, pois multiplicidade genética produz
estabilidade. Plantas resistentes que são atacadas, mas não
infectadas por um fungo, desenvolvem um tipo de imunidade que as protege
também de outros fungos. Um campo em que há multiplicidade
genética dificulta a adaptação do parasita, pois ele
encontrará sempre novos obstáculos. O ataque de fungos nas áreas
de teste está atualmente tão reduzido que os lavradores podem
dispensar a aplicação de fungicidas.
Com meios simples, obtiveram aquilo que a tecnologia genética promete
há muito tempo, mas até agora não conseguiu concretizar.
O uso de organismos geneticamente manipulados ainda não permitiu
aumentar a safra, nem reduzir o uso de pesticidas (segundo informação
dos Ministérios da Agricultura dos Estados Unidos e do Canadá).
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Fonte: Nature, vol 406, pp 681-718
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