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O
supremo Alimento Frankenstein
Dr.
Samuel S. Epstein e Wenonah Hauter
A
indústria alimentícia e a indústria nuclear, com o apoio do governo,
aproveitaram-se de surtos de alimentos contaminados por Escherichia
coli para convencer o público a aceitar a irradiação dos
alimentos. As Comissões de Orçamento do Congresso e do Senado
dos EUA propuseram substituir o termo "irradiado" por "pasteurização
eletrônica". Isso é um absurdo, uma vez que a dosagem de irradiação
estabelecida pelo FDA (órgão do governo americano responsável
pelo controle de medicamentos e alimentos), de 450.000 rads para
a carne, equivale a quase 150 milhões de raios-X do tórax — além
de contornar o direito fundamental dos consumidores de saber.
Análises
realizadas pelo exército dos Estados Unidos, em 1977, revelaramdiferenças
importantes nas substâncias químicas formadas durante a irradiação
e durante o cozimento da carne. Os níveis de benzeno, uma substância
que tem grande potencial de causar câncer, eram 10 vezes mais
altos na carne irradiada do que na carne cozida. Foram encontradas,
também, altas concentrações de produtos químicos radiolíticos
considerados como carcinógenos.
O
FDA tomou uns poucos estudos, selecionados dentre mais de 400
na década de70 e no início da de 80, como base para suas alegações
de segurança. No entanto, a Dra. Marcia van Gemert, presidente
da força-tarefa da FDA sobre alimentos irradiados, que revisou
esses estudos, insiste que nenhum deles seguiu adequadamente
os padrões de 1982, e muito menos os da década de 90. Análises
detalhadas desses estudos mostraram que todos continham graves
falhas.
Esses
resultados não são de se estranhar, pois vários estudos independentes,
realizados antes de 1986, mostraram claramente danos genéticos
em decorrência de alimentos irradiados; estudos realizados
na década de 70 pelo Instituto Nacional de Nutrição da Índia,
mostraram que alimentando-se crianças, macacos, ratos e camundongos
subnutridos com trigo irradiado, ocorria grave dano cromossômico
nas células
sangüíneas e da medula óssea, assim como danos mutacionais em
roedores. Estudos posteriores também revelaram a presença de
elementos químicos radiolíticos mutagênicos e carcinógenos em
alimentos irradiados.
O
Serviço de Pesquisas do USDA, Ministério da Agricultura dos Estados
Unidos, admitiu que a irradiação dos alimentos causa importantes
perdas de micronutrientes - principalmente das vitaminas A, C,
E e do complexo B - perdas estas que são aumentadas pelo cozimento,
resultando em alimentos sem valor nutritivo.
A
irradiação também tem sido usada para higienizar alimentos não
apropriados para consumo humano - tais como peixe estragado - matando
as bactérias que provocam mau cheiro.
As
usinas de irradiação que usam isótopos peletizados representam
um risco de acidentes nucleares para todas as comunidades nos
EUA, provenientes de mais de 1200 instalações nucleares planejadas
para o enorme mercado de irradiação em potencial. Ao contrário
das usinas nucleares, essas instalações são relativamente pequenas,
sujeitas a pouca regulamentação, provavelmente pouco seguras.
Elas necessitam de suprimentos regulares de cobalto (60Co)
ou de césio (137Cs) -- cujo
transporte através do país representa um grande risco. As usinas
que usam aceleradores lineares (feixes eletrônicos) para irradiar
alimentos só servem para irradiar alimentos com menos de 7,5
cm de espessura. Essas usinas apresentam sérios riscos para os
funcionários.
O
histórico da indústria da irradiação é suspeito. Os arquivos
da Comissão de Regulamentação Nuclear (NRC) estão abarrotados
de casos não comunicados de derramamentos radioativos, exposição
excessiva dos operários e vazamentos de radiação para fora das
instalações.
A
indústria de irradiação e a agroindústria têm se concentrado
na limpeza lucrativa de alimentos contaminados, em vez de dedicar-se à prevenção
da contaminação na origem. No entanto, as intoxicações provocadas
por E.coli poderiam ser evitadas por medidas de higiene,
que já deveriam ter sido tomadas há muito tempo. Um saneamento
mais eficaz também evitaria a contaminação do sistema de abastecimento
de água.
O
saneamento nos abatedouros, antes e após o abate, poderia reduzir
bastante o índice de contaminação das carcaças dos animais. Os
exames das carcaças para verificar a contaminação por E.
coli e Salmonella são baratos, práticos e rápidos.
O custo de produzir carne saudável é mínimo em comparação com
os altos custos da irradiação, incluindo possíveis acidentes
nucleares, proibição pelo mercado internacional de importação
dos alimentos americanos irradiados, assim como um grande risco
para a indústria de turismo dos Estados Unidos.
Em
vez de sanear os rótulos para satisfazer interesses
especiais, o Congresso deveria concentrar-se no saneamento - e
não na irradiação - dos nossos alimentos.
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Fonte: What
Doctors Don't Tell You, Vol 13, n.º 6, setembro 2002
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