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Sementes
da dúvida
Em
outubro de 2002 a Soil Association (Associação do Solo)
emitiu, na Grã-Bretanha, um relatório grave, Seeds of Doubt (Sementes
da Dúvida), sobre o estado da agricultura transgênica nos Estados
Unidos. Eis algumas de suas constatações:
- Os
dados de seis anos de cultivo mostram que o cultivo de sementes
transgênicas que resistem ao Roundup proporciona, em
média,
receita menor para os fazendeiros do que safras não transgênicas.
- As
estatísticas do governo americano confirmam que, com as safras
transgênicas, maiores quantidades de herbicidas foram aplicadas
ao solo. Em 2000, o milho Roundup Ready (RR) foi tratado, em
média, com 30% mais herbicida do que o milho não transgênico.
- O
herbicida glifosato rompe o processo de fixação do nitrogênio
na soja RR. A menor fixação do nitrogênio significa que a produção
pode diminuir em até 25%.
- Já existem
ervas daninhas que estão desenvolvendo resistência ao glifosato.
Essas ervas daninhas requerem a aplicação de quantidades muito
maiores de herbicida.
- As
espécies transgênicas aumentam o custo das sementes para o fazendeiro
em 25% a 40% por acre. Assim, as safras precisam ser maiores
e/ou outros custos menores para equilibrar as contas dos fazendeiros.
- A
agência americana certificadora de orgânicos, Farm Verified
Organic, declarou que a contaminação transgênica do milho,
canola e soja já está tão disseminada, que acredita não ser mais
possível os fazendeiros nos EUA produzirem sementes não transgênicas.
- No
Canadá, a contaminação da cultura de canola chegou a tal ponto,
que a maioria dos agricultores orgânicos de Saskatchewan, a província
que mais se dedica à agricultura orgânica, desistiu de cultivá-la.
- Entre
os efeitos não previstos, está a recusa do gado de pastar o restolho
de milho Bt, porcos recusando as rações que contêm grãos transgênicos
e o gado deixando de comer quando os fazendeiros adotam silagem
transgênica.
- Com
a introdução de culturas transgênicas, os fazendeiros perderam
muito da capacidade de escolher como cultivar. Muitos são obrigados
a evitar certas culturas ou até mesmo cultivar safras transgênicas,
simplesmente devido à falta de opção e não por causa de atributos
das culturas transgênicas.
"Em
1900, havia cerca de 2.000 empresas fornecedoras de semente
na
América do Norte.
Hoje, esse número não chega a 200...
A mão que detém as sementes controla
o fornecimento de alimentos."
Sharon Rempel, pesquisadora de culturas orgânicas.
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Fonte: The Ecologist, novembro de 2002 |
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