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Uma mensagem de Jane
Goodall
Há
alguns anos, no Zoológico de Detroit, um chimpanzé de nome Joe-Joe estava
brigando com outro chimpanzé quando caiu num fosso cheio de água.
Chimpanzés não sabem nadar. Por três vezes ele subiu à superfície, tentando
respirar, e depois desapareceu. Felizmente, um visitante, Rick Swope,
rapidamente pulou atrás dele. Segurando um peso morto de 62 kg pela cintura, Rick
subiu o barranco com Joe-Joe.
Enquanto os
seguranças gritavam para ele tomar cuidado, Rick começou a voltar para onde
estavam sua esposa e três filhos assustados. De repente, ainda
inconsciente, Joe-Joe começou a escorregar outra vez para a água. Rick
salvou-o novamente, segurando-o na margem até que voltou a si. Rick, então,
olhou à sua volta, justo a tempo de perceber que o outro chimpanzé avançava
em sua direção aos gritos, cabelo em pé e dentes à mostra. Ao pular a
cerca, o herói escapou por um triz de um ataque feroz.
A cena foi registrada pelo vídeo de uma visitante e, na mesma noite, passou
nas televisões de todos os Estados Unidos. Um dos meus colegas viu e ligou
para Rick. "Você
fez uma coisa muito corajosa. Devia saber que era perigoso. Por que fez
aquilo?"
"Bom",
disse Rick, "olhei
nos olhos dele. Foi como se olhasse nos olhos de um homem. A mensagem era:
Ninguém vai me ajudar?"
Conheço
bem esse olhar. Tenho visto nos olhos de chimpanzés amarrados em mercados
africanos, presos atrás de grades de aço em laboratórios ou acorrentados em circos. Também
vi em crianças abandonadas ou abusadas, em jovens desesperados para
sobreviver à miséria das cidades ou à fome dos vilarejos. Tantos problemas,
tanto sofrimento, tanto para os seres humanos como para os não humanos.
Pobreza, desnutrição, doença, poluição. E a violência — na África,
castigada pela guerra e nos países desenvolvidos, com as drogas, as
gangues, os homicídios.
Enquanto escrevo estas linhas, na minha casa em Dar es Salaam, sinto-me
abatida. Adoramos apontar culpados, quando tentamos lidar com problemas
difíceis como o meio ambiente, responsabilizando a indústria, ou a ciência,
ou os políticos. E não há dúvida de que a industrialização poluiu a
Natureza. Mas, quem compra os produtos? Nós, você e eu, o grande público.
Cada uma de nossas ações tem um impacto global.
Por isso é que cada um de nós deve fazer a sua parte, não importa onde viva
— na cidade ou no campo, na África, América ou outro lugar. Na Tanzânia,
espalhamos esta mensagem através da música. Quando nosso grupo de
conservação visita uma vila, nosso coro feminino se apresenta. Depois o
grupo mostra para os residentes como construir um viveiro para árvores
frutíferas. A cada muda que plantam, eles se unem à luta do mundo inteiro.
As crianças percebem rapidamente o valor da ação individual. No mundo
inteiro, quando falo para elas, vejo que estão conscientes que são parte do
problema, convencidas que podem modificar as coisas e ansiosas por ajudar,
exatamente como Rick Swope fez com Joe-Joe. Aí está nossa esperança — cada
vez mais pessoas estão abrindo seus corações para o desespero que vêem ao
seu redor e partindo para a ação. Porque é assim que podemos cumprir nosso
potencial humano de compaixão. E de amor.
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Jane Goodall, como cientista, dedicou a sua vida a observar chimpanzés na
selva e documentar os seus hábitos.
Hoje ela dirige o Jane
Goodall Institute em Ridgefield, Connecticut, EUA (www.janegoodall.org)
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