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Defesa dos animais imprimir
 

O velho

Jane Goodall

Vou terminar com uma história. É sobre um chipanzé chamado Old Man (Velho), que vive numa ilha da Flórida. Ele foi trazido de um laboratório quando tinha doze anos e deixado na ilha com três fêmeas, que também tinham sido exploradas pelos humanos.

O jovem Marc Cusano era empregado do zoológico. Uma de suas tarefas era cuidar desses chipanzés e disseram: “Não chegue perto deles. Eles são perigosos. Odeiam as pessoas. Eles matam você”. Assim, durante muito tempo, Marc trazia seu barco até a costa da ilha e jogava a comida nas margens.

Mas, à medida que observava os chipanzés, ficava cada vez mais fascinado. Ele via que, quando se aproximava com a comida, eles ficavam tão excitados que se beijavam, se abraçavam e faziam sons de antecipação. Ele viu como Old Man era gentil e amoroso com o filhote de uma das fêmeas — seu filho. Marc pensou: “Como posso cuidar destes maravilhosos animais se não tenho uma boa relação com eles?” Assim, começou a chegar cada vez mais perto. Um dia, ele apresentou o alimento e Old Man pegou da sua mão.

Com o passar do tempo, Marc ficou mais seguro e desembarcou na ilha. Um dia, ele até escovou Old Man e, mais tarde, conseguiu brincar com ele.

As fêmeas eram mais arredias, mas não se incomodavam quando Marc andava pela ilha.

Então, mais ou menos um ano após seu primeiro contato com Old Man, Marc escorregou, caiu e assustou o filhote. O animalzinho gritou e a mãe correu para defender a cria, como fazem as mães chipanzés. Ela pulou em cima de Marc e mordeu seu pescoço profundamente. As outras fêmeas também pularam nele, em apoio à companheira. Uma mordeu o pulso, a outra a perna. Ele achou que estava acabado.
Tinha sido atacado antes, mas nunca com tamanha ferocidade.

E, o que aconteceu? Old Man apareceu correndo. Correu para defender o primeiro amigo humano que havia tido em anos. Ele arrancou cada uma das fêmeas de cima de Marc. Enquanto Marc penosamente se arrastava para o barco, Old Man manteve afastadas as fêmeas, que continuavam gritando e muito excitadas.

Mais tarde, quando encontrei com Marc após ter saído do hospital, ele disse: “Sabe, Jane, não há a menor dúvida de que Old Man salvou minha vida.” 

Eu acho isso tão simbólico para nós. Se um chipanzé, e um chipanzé que foi maltratado por seres humanos, pode superar as barreiras e ajudar um amigo humano numa hora de necessidade, então certamente nós, humanos, com nossa maior capacidade de compreensão e compaixão, podemos estender a mão para ajudar chipanzés e outras criaturas com quem partilhamos este planeta na hora em que desesperadamente precisam de nós. Não podemos?

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Fonte: Encerramento de uma conferência apresentada pela Dra. Jane Goodall, que dirige o Jane Goodall Institute em Ridgefield, CT, EUA.

 
 
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