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Procurando
a saúde nos lugares errados
Douglas
Lisle e Alan Goldhamer
As
pessoas foram induzidas a pensar que sempre precisam
"tomar alguma coisa" para recuperar a saúde
Milhões
de pessoas sofrem e morrem de algumas doenças devastadoras,
que incluem enfarte, derrame, diabete e câncer. Essas doenças
são responsáveis por mais de 75% das mortes prematuras
e da maioria dos casos de incapacidade crônica. No entanto,
a maioria das pessoas tem dificuldade em identificar os culpados
por essas tragédias.
Para muitos, as causas parecem contraditórias e obscuras.
Procuram especialistas em livros, na televisão e nos consultórios
médicos. Mais de 10 milhões de pessoas por semana
recorrem
à internet em busca de informações sobre saúde.
Infelizmente, a maioria das informações dadas pelos "especialistas" está errada
e ilusória. Por exemplo, muitos pacientes são levados
a acreditar que os verdadeiros culpados por seus problemas de saúde
são os genes. Esta concepção errônea
pode levá-los a pensar que qualquer problema vai exigir
intervenção médica, pois o seu organismo simplesmente
não funciona direito, que é "defeituoso" por natureza.
Se a taxa de colesterol está elevada, lhes recomendam que
tomem medicamentos para diminuí-la. Se a pressão
está alta, devem tomar medicamentos para faze-la baixar.
E, se têm diabete do tipo II (cerca de 95% de todos os casos
de diabete), são informados que seu estado de saúde
requer injeções de insulina.
No campo das terapias alternativas, as sugestões dos "especialistas" são
um pouco diferentes. As receitas incluem fitoterápicos,
alimentos concentrados em forma de pílulas, suplementos
vitamínicos e outros tratamentos. Como o pensamento convencional,
tais enfoques alternativos parecem confirmar a mesma conclusão
tácita: A pessoa não pode atingir e manter um organismo
saudável sem adicionar alguma coisa! Seja por falha
genética ou por deficiência alimentar, o conceito
sempre é de que falta alguma coisa. A recomendação "tome
alguma coisa para melhorar" faz sentido para a maioria das
pessoas, encorajando-as muitas vezes a continuar no caminho da
auto-destruição. Entretanto, os verdadeiros culpados
são ignorados e continuam a causar prejuízo sem encontrar
obstáculos.
Os
verdadeiros culpados
Os verdadeiros culpados da maioria dos problemas de saúde
modernos não são deficiências, mas excessos. É a redução ou eliminação desses
excessos que vai resolver a maioria dos problemas de saúde
e não a adição de medicamentos e suplementos.
A eliminação do excesso costuma ser muito mais eficaz
na restauração da saúde do que a adição
do que quer que seja.
No
caso da aterosclerose, por exemplo, o excesso de colesterol proveniente
da alimentação, gorduras e proteínas (geralmente
na forma de produtos de origem animal), acarreta depósitos
de substâncias gordurosas no sistema cardiovascular. Estes
depósitos entopem o sistema e, com freqüência,
levam a enfarte, derrame ou insuficiência cardíaca
congestiva — que causam, todos os dias, cerca de 50% dos óbitos
nos Estados Unidos. Pesquisas comprovaram que a redução desses
excessos alimentares é a maneira mais eficaz de tratar
o problema. Em sua famosa pesquisa sobre "Saúde e Estilo
de Vida", Dean Ornish e seus colegas da Universidade da Califórnia
mostraram que — ao diminuir drasticamente a quantidade
de produtos animais na alimentação e reduzir a
ingestão de gorduras para 10% das calorias consumidas — o
organismo logo começa a reverter a aterosclerose. A adição
de nenhum medicamento ou suplemento nutricional mostrou sucesso
equivalente.
Deve haver uma forte razão para que as pessoas continuem
ingenuamente acreditando que adicionar coisas — tais
como comprimidos de vitaminas, medicamentos e até mesmo
vinho — seja útil para atingir a saúde. A verdade é que
precisamos subtrair carne, peixe, aves, ovos, laticínios
e fumo. Deve haver um motivo para que tais soluções
pareçam mais plausíveis do que a verdade. Poderíamos
deduzir que o impulso humano para procurar prazer esteja motivando
as pessoas a resistirem à verdade, porém não
acreditamos que seja essa a essência do problema. Embora
as campanhas maciças de desinformação, guiadas
por interesses comerciais, ajudem a levar os ingênuos por
uma trilha falsa, a nossa experiência nos diz que existe
outro fator mais profundo.
No passado, os seres humanos não tiveram que enfrentar problemas
causados por excessos alimentares, porque o ambiente natural não
estava cheio de proteínas e gorduras animais, na forma de
queijos e embutidos. Não havia óleos industrializados,
açúcar e farinha refinados, nem excesso de sal. E,
uma vez que não havia problemas por excessos alimentares
no passado, o homem moderno não está preparado para
perceber que problemas de saúde podem ser causados por excessos.
Por outro lado, deficiências alimentares eram freqüentemente
problemas muito sérios para os nossos ancestrais.
Em todos os tempos, obter comida suficiente tem sido um dos maiores
problemas da humanidade.
Reduzir para ter saúde
Um dos métodos mais poderosos para restaurar a saúde
exige exatamente o contrário daquilo que a maioria
das pessoas — e a maioria dos "especialistas" em saúde
— imagina. Se a maioria dos problemas de saúde são
causados pelos excessos na alimentação (e as pesquisas
indicam que são), então faz sentido afirmar que a
eliminação desses excessos seja um tratamento muito
eficaz. Pesquisas realizadas pelos Drs. Ornish, McDougall, Esselstein
e outros, confirmaram exatamente isto. Entretanto, a redução
alimentar pode ser mais do que um simples aprimoramento alimentar.
Em alguns casos, a terapia mais poderosa pode ser não comer
absolutamente nada durante certo período — um
período
voluntário de jejum supervisionado, restrito a ingestão
de água.
Os resultados obtidos por nossos pacientes após a remoção
de excessos alimentares — pela modificação
dos hábitos alimentares e por jejum — costumam ser
espetaculares. O poder do organismo humano de recuperar sua saúde é fantástico,
quando descobertos e eliminados os verdadeiros culpados pelas doenças.
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Fonte: Health Science, nov/dez 2000 |
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