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Globalização e saúde — um novo problema

Desde o início da década de 70, a economia mundial mudou. Tornou-se muito instável e passou a favorecer o rico, penalizando o pobre. Diversas mudanças ocorreram que ajudam a explicar porque isso aconteceu.

  •  Em 15 de agosto de 1971, o Presidente Nixon desatrelou a moeda americana do padrão ouro, removendo, assim, o último elo entre dinheiro e bens reais. Na década de 90, com o aumento no mercado de futuros e derivativos, somente cerca de 10% do dinheiro tem o respaldo de bens tangíveis.
  • O comércio — liberado com o livre movimento de capital resultante da abolição dos controles cambiais — está agora protegido pelas políticas da Organização Mundial de Comércio.
  • Essa falta de normas e de controle das fronteiras permite que os mercados financeiros se fundam em um único sistema de comércio eletrônico, não regulamentado e predisposto a excessos especulativos.
  • Os negociantes sem rosto que operam esse sistema movimentam diariamente 2 trilhões de dólares ao redor do mundo.
  • As instituições transnacionais, principais beneficiárias do dinheiro, são isentas de qualquer responsabilidade perante o público ou ao meio ambiente.

O impacto dessa globalização é o seguinte:

  • esgotamento do capital natural como conseqüência de desmatamentos e descarregamento de lixo nocivo em terras anteriormente produtivas;
  • esgotamento do capital humano como conseqüência de condições de trabalho subumanas em muitas partes do mundo;
  • esgotamento do capital social como conseqüência da redução dos salários, desativação de fábricas e sua transferência para locais onde a mão-de-obra é mais barata;
  • esgotamento do capital institucional como conseqüência do enfraquecimento da função e credibilidade dos governos democráticos locais.

Esses fatos conduziram a uma situação em que, grande parte da população mundial, perdeu a capacidade de sustentar-se, tornando-se dependente de um único sistema econômico extremamente volátil, que não tem como usar um número cada vez maior de pessoas. Essa remoção de grande proporção da população de qualquer forma de participação na economia global aprofunda a sensação de impotência que se tornou característica tão difundida em nossas sociedades.
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Fonte: "When Corporations Rule the World", por David Korten, fundador e diretor do Fórum de Desenvolvimento Centrado em Pessoas

 
 
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