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Papel do pai nos defeitos
congênitos
Muito
já foi escrito sobre como a mãe contribui para os defeitos congênitos do
filho, seja por alimentação errada, fumo, bebidas ou drogas. Agora, os
cientistas estão estudando o papel do pai. O fundamento é simples: defeitos
congênitos resultam de óvulos ou espermatozóides danificados antes da
fertilização. As futuras mães sempre foram avisadas que, fumando durante a
gravidez, correm maior risco de ter um bebê com baixo peso. As advertências
impressas nos maços de cigarros não mencionam que pais fumantes também
podem ser a causa do baixo peso no recém-nascido. Um subproduto da nicotina
no sêmen de fumantes talvez explique por que os fumantes geram filhos de
peso baixo ao nascer. Além disso, existe a influência do fumar passivo,
isto é, a fumaça de cigarro do marido respirada pela esposa grávida.
Um estudo realizado na Universidade de Boston mostrou que ratos machos —
expostos ao óxido nitroso antes do acasalamento — produziam crias de menor
peso e desenvolvimento mais lento do que as crias de machos não expostos ao
gás.
Outra pesquisa, na Universidade de Maryland, revelou que ratos machos —
expostos a níveis mínimos de chumbo — produzem crias com graves alterações
no desenvolvimento cerebral. O mesmo estudo mostrou que crias de machos
expostos à morfina tinham mais dificuldade em aprender.
Doses baixas cumulativas de radiação também podem
provocar danos. Uma pesquisa realizada na Inglaterra constatou que os
filhos dos operários da usina nuclear de Sellafield eram 8 vezes mais
propensos a contrair leucemia do que as crianças cujos pais não trabalhavam
na usina.
Os cientistas não sabem explicar todos os mecanismos que prejudicam os
espermatozóides. Segundo uma das teorias, o sêmen, por sofrer divisões
antes da ejaculação, é especialmente vulnerável à ação de produtos químicos
e à radiação. O material genético contido nos espermatozóides pode ser
prejudicado. Segundo outra teoria, produtos químicos tóxicos no sêmen podem
passar diretamente para a mulher e prejudicar o óvulo ou o aparelho
reprodutor.
Quaisquer que sejam os mecanismos, há provas suficientes para mostrar que
as estratégias de saúde na área de reprodução não podem ignorar o pai. Na
década de 70, o pesticida dibromocloropropano foi proibido quando ficou
comprovado que causava esterilidade permanente em agricultores nos Estados
Unidos e na Costa Rica. Considerações de ordem política explicam a
relutância do governo norte-americano em aceitar a ligação entre exposição
ao herbicida Agente Laranja (dioxina) e defeitos congênitos. Um estudo
recente mostrou que os filhos de soldados que, no Vietnã, foram expostos ao
Agente Laranja, tinham mais probabilidade de sofrer malformações (pé torto
e problemas cardíacos) do que os filhos dos outros veteranos.

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Fonte: The Economist,
23.02.1991
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