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Notícia do Baltimore Sun
Baltimore, 4 de junho de 2092
O Dr. John Curarápida teve insônia na noite passada
devido à audiência prevista para o dia de hoje, no tribunal de Anápolis,
relativa à sua conduta médica ortodoxa.
O consultório do Dr. Curarápida tem sido verdadeira ameaça para a saúde da
comunidade por um bocado de tempo. Como clínico geral, ele utiliza um
enfoque limitado à medicina alopática clássica, uma filosofia médica
largamente empregada nos Estados Unidos no século passado, antes da grande
renascença médica. É baseada somente em diagnósticos físicos e na terapia
dos sintomas por meio de substâncias químicas.
A abordagem do Dr. Curarápida segue um padrão estabelecido: depois do
paciente ser submetido a uma bateria de exames rotineiros e, às vezes,
prejudiciais (envolvendo exposição à radiação), ele é atendido por sete a
dez minutos. Recebe um diagnóstico e uma receita para vários medicamentos
químicos com efeito colaterais nocivos conhecidos e interações
desconhecidas. Para este serviço, o Dr. Curarápida cobra de seus pacientes
honorários equivalentes a três dias do salário de um empregado de
escritório.
É claro que as autoridades ficaram alarmadas com essas práticas, mas, como
não houve reclamações de pacientes (o Dr. Curarápida exige que seus
pacientes assinem um acordo antes de tratá-los), o Estado tem relutado em
apresentar acusações formais contra ele.
Conseqüentemente, o Conselho Regional de Medicina pediu que um agente fosse
consultar o Dr. Curarápida como paciente. O agente era um senhor branco, de
63 anos de idade, com uma real dor no peito. Um ECG, ultra-som,
angiocardiograma, raios X do peito, smac 24 e exames físicos levaram ao diagnóstico
de angina pectoris, hipertensão, hipercolesterolemia, obesidade e diabetes
incipiente. O Dr. Curarápida prescreveu diversos medicamentos e pediu ao
paciente que retornasse ao consultório dentro de seis semanas.
Agora, o Dr. Curarápida é acusado de negligência médica de várias formas e
pode perder sua licença. Ele deixou de informar o paciente a respeito das
causas de seus problemas, a saber, estresse, subnutrição, falta de
exercícios, estilo de vida inadequado.
Ele deixou de discutir essas causas com o paciente. Além disso, deixou de
oferecer e discutir diversas terapias como: acupuntura, homeopatia,
medicina antroposófica, quelação, nutrição, terapias para o estresse,
massagem etc. — que poderiam ajudar o paciente a ajustar seu estilo de
vida. Ao invés disso, utilizou medicamentos que — apesar de ainda
disponíveis — estão na lista de medicamentos de "último recurso"
e devem ser administrados somente em combinação com outras formas de
terapia.
Na audiência de hoje, a comissão do Conselho Regional de Medicina de
Maryland ouviu a opinião de especialistas de várias instituições
conceituadas a respeito da conduta médica do Dr. Curarápida. A Escola John
Hopkins de Medicina Complementar se fez representar pelo Dr. George Guss; a
Associação Americana de Quelação enviou o Dr. S. Hamim; a Associação
Americana de Medicina Inovadora, a maior e mais influente organização
profissional dos Estados Unidos, se fez representar pelo Dr. Allen Grady.
Ele apresentou estudos estatísticos individualizados demonstrando a abordagem
insuficiente e até mesmo perigosa do caso em questão.
A defesa foi feita pelo Dr. Trancado. Ele apresentou estudos superados para
provar que as práticas médicas do acusado estariam de acordo com padrões
estabelecidos. O Dr. Trancado é presidente da Associação Americana de
Alopatia, sucessora pouco conhecida da Associação Médica Americana, AMA.
O advogado do Dr. Curarápida ressaltou que seu cliente clinica há muitos
anos sem nenhuma reclamação de pacientes. O presidente do Conselho observou
que isso se deveu, provavelmente, ao caráter ingênuo de seus pacientes.
A comissão tomará decisão a respeito da licença do Dr. Curarápida na
próxima semana. Provavelmente, o Dr. Curarápida poderá continuar clinicando
sob supervisão e, de acordo com os padrões médicos atuais, que excluem
claramente o exercício da medicina alopática de forma isolada (artigo 6 do
Decreto Médico de Maryland).
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Fonte: Townsend Letter
for Doctors, outubro de 1992
Dr. Peter Hinderberger - 4801 Yellowwood Ave. Baltimore, MD 21209
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