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Medicina em crise

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Iatrogenia

Alan R. Yurko

Iatrogenia é uma alteração patológica provocada no paciente por diagnóstico ou tratamento de qualquer tipo. Um problema iatrogênico é provocado por pessoal ou procedimentos médicos ou através de exposição ao meio hospitalar, inclusive o medo causado ao doente por comentários ou perguntas feitas pelos médicos que o examinam.

Sabemos que muitos medicamentos, equipamentos, cirurgias e terapias são considerados milagres da medicina moderna. Entretanto, existem diversos aspectos desses milagres. Este artigo focaliza o seu lado escuro.

Antigamente, as pessoas confiavam cegamente em seu médico. Havia um vínculo pessoal com o médico. Esse vínculo degenerou com a ênfase na medicina como negócio, códigos, empresas de seguro-saúde. O mercado da área de saúde não procura fazer o bem e as pessoas perderam a confiança. A iatrogenia tem um papel importante e feio nessa história.

Um estudo publicado no Journal of The American Medical Association (2000:284:94), pela drª. Barbara Starfield, mostrou que nos EUA:

  • 12.000 óbitos por ano são provocados por cirurgias desnecessárias;
  • 7.000 óbitos por ano são provocados por erros de medicação em hospitais;
  • 20.000 óbitos por ano são provocados por outros erros em hospitais;
  • 80.000 óbitos por ano são provocados por infecções hospitalares;
  • 106.000 óbitos por ano são provocados por efeitos adversos dos medicamentos.

Isso significa 225.000 óbitos por ano devido a causas iatrogênicas, tornando a iatrogenia uma das principais causas de óbito nos EUA e esse número não inclui deficiências e outros problemas — apenas os óbitos ocorridos nos hospitais. Quando refletimos que anualmente o número de óbitos devido a erros médicos é quatro vezes maior do que o número de óbitos durante toda a guerra do Vietnã, ficamos chocados sem entender porque tal informação não chega às manchetes ou porque ainda não foram criados enormes grupos de estudos custeados pelos médicos ou pelas autoridades políticas.

Nós temos a American Heart Association para cuidar das doenças cardíacas, a “Guerra ao Câncer” e até mesmo grupos como “Mães contra dirigir embriagado” — organizações que analisam todo tipo de problema, menos a iatrogenia. Tais estudos são poucos e raros.

A iatrogenia não se limita aos EUA. O British Medical Journal mencionou, em março de 2000, que “Anualmente, na Austrália, erros médicos causaram 18.000 óbitos desnecessários e mais de 50.000 doentes ficam incapacitados”. Estudos divulgados durante os últimos dez anos indicam uma tendência semelhante na Grã-Bretanha, no Canadá e na Nova Zelândia. A Nova Zelândia tem elevada percentagem de reações adversas a medicamentos, comparável àquela dos EUA, sendo que os EUA e a Nova Zelândia são os únicos países que permitem propaganda agressiva de medicamentos.

Um levantamento estatístico interessante mostra os óbitos atribuídos na Grã- Bretanha, entre 1990 e 1995, a medicamentos que podem causar dependência:

  • Benzodiazepinas – 1.810;
  • Metadona – 676;
  • Heroína – 291.

Temos aí dois medicamentos legalmente receitados e cada um deles causa mais óbitos do que a heroína. Essas estatísticas estarrecedoras não podem mais ser ignoradas. Houve muita negação e silêncio por parte do complexo industrial médico alopático. Como a medicina tornou-se um ramo do comércio e o comércio e a política têm laços estreitos, devemos analisar outros fatos interessantes.

As indústrias farmacêuticas investem fortunas para influenciar a política, no lobby de seus interesses. Elas não fazem este investimento sem esperar um retorno com lucro. Esse talvez seja o motivo pelo qual as autoridades fecham os olhos. As indústrias farmacêuticas também fabricam pesticidas e produtos químicos que provocam câncer e outras doenças. Depois, produzem medicamentos para tratar os males que causam. Esses medicamentos, por sua vez, provocam mais problemas e criam um mercado para mais medicamentos — e mais lucros. Um ciclo muito lucrativo! Pesquisar doenças diverte a atenção dos produtos cancerígenos e letais.

Muitos acreditam que o estudo da Drª. Barbara Starfield citado acima seja apenas a ponta do iceberg, pois apenas analisou doentes hospitalizados. O que dizer dos erros domiciliares e ambulatoriais? Há mais pessoas nesses grupos e certamente mais iatrogenia. Comparadas ao holocausto iatrogênico, as mortes ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial nem parecem tão expressivas. Entretanto, foram realizados poucos esforços para reconhecer e corrigir a iatrogenia.

Assassinato ou erro?
A sutil linha entre um assassinato e um erro é uma batata quente. Poder-se-ia até argumentar que existe um plano elitista global para controle da população, permitindo que a iatrogenia ganhasse tamanho impulso. Porém, independentemente da sua etiologia, a iatrogenia é real; ela corre solta e está longe de ser controlada. Ao considerar a iatrogenia como uma doença infecciosa — fora do controle dos médicos e hospitais — estamos permitindo que a profissão médica e os cartéis farmacêuticos se distanciem da responsabilidade e os isentamos da culpabilidade de homicídio por negligência.

Seria humanamente impossível eliminar inteiramente os erros. O problema é “Quantas vezes um erro acontece até que não seja simplesmente mais um erro, mas sim negligência?” Quando os erros se tornam negligência, estamos testemunhando um verdadeiro holocausto.

Veja a bibliografia em: www.freeyurko.bizland.com

 

 

 

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