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Corrupção na medicina
moderna
Allan S. Levin
Médicos honestos são
pressionados pelos
grandes laboratórios
interessados em lucro e não em saúde
O Sr.
J. é advogado em São
Francisco e a Sra. J. é auditora com um escritório
próspero em
Santa Clara. Eles têm três filhos, sendo que o mais velho
tem seis anos e o mais novo tem onze meses. Como não eram pais
inexperientes e histéricos, não ficaram muito preocupados com a diarréia
crônica do filho mais novo, até que ela foi além dos seis meses. Procuraram
o melhor pediatra das redondezas e ficaram felizes quando conseguiram que o
filho fosse examinado pelo professor catedrático da Universidade Stanford,
um médico experiente e muito respeitado, com pouco mais de cinqüenta anos e
que falava com autoridade. Ele fez o histórico e um exame físico e disse
para a Sra. J.: "Olha,
querida, Jimmy está muito bem. A diarréia dele é funcional. Incomoda mais a
você do que a ele. Ele só precisa de um pouco de Kaomagna; você precisa de
alguns comprimidos de Valium". A Sra. J. ficou ressentida
com o modo condescendente do professor, porém, mais do que isso, não se
sentiu bem com o diagnóstico dele. Por meio de um amigo, ela descobriu um
médico dedicado ao estudo de doenças causadas por alimentos, fatores
ambientais, além de bactérias e vírus. Esse tipo de médico costuma receitar
menos medicamentos e, freqüentemente, promove mudanças alimentares e
ambientais no lugar de prescrever medicamentos. Ele disse: "Sra. J., pode ser que seu filho
seja alérgico a leite de vaca. Vamos experimentar um simples controle
alimentar por algumas semanas e ver o que acontece". Dito
e feito: dois dias após a suspenção do leite, as fezes do pequeno Jimmy ficaram
normais.
A Sra. J. ficou uma fera. Ela veio a mim e gritou: "Será que o Dr. da Universidade
Stanford não sabe nada a respeito de alergia a leite?"
Minha resposta foi: "Só
posso imaginar duas razões por que o doutor não levou em consideração a
alergia ao leite. Ou ele ignora a copiosa literatura publicada a respeito
do assunto ou ele tem um particular interesse na distribuição de grande
quantidade de medicamentos".
A saúde se tornou um negócio arquimilionário e os médicos continuam sendo
os principais distribuidores dos produtos da indústria farmacêutica. À
medida que aumentava o custo de desenvolvimento e comercialização dos
medicamentos, os laboratórios intensificaram seus esforços para conquistar
os médicos.
Houve um enorme aumento, não apenas dos custos operacionais dos
laboratórios, mas também dos lucros. O aumento de lucro atraiu
concorrentes, o que provocou um aumento geral da publicidade sobre
medicamentos. Anúncios em periódicos médicos e revistas se tornaram
atrativos, porque os noticiários vinham cuidadosamente associados a
"descobertas médicas".
Esse "esforço de publicidade", que começou com presentes para
médicos e estudantes de medicina, se tornou uma campanha maciça para moldar
atitudes, pensamentos e diretrizes dos médicos. Os laboratórios empregam
representantes para visitar os consultórios médicos e distribuir amostras
grátis. Eles descrevem as indicações para esses medicamentos e tentam
persuadir os médicos a usar seus produtos. Como qualquer outro vendedor,
eles falam mal dos produtos de seus concorrentes, enquanto passam por cima
das limitações dos seus próprios produtos. Os representantes não têm
nenhuma formação médica ou farmacológica e não são fiscalizados por nenhum
órgão estatal ou federal. Esse sistema de vendas teve tanto sucesso que,
hoje em dia, o médico comum foi virtualmente treinado pelos representantes
de laboratórios. Esta prática levou a um uso excessivo de medicamentos por
parte dos médicos e por parte da população leiga. Uma recente pesquisa
mostrou que, atualmente, uma em cada três internações é resultado direto do
uso indevido de medicamentos vendidos com ou sem receita.
A indústria farmacêutica corteja jovens estudantes de medicina, oferecendo
presentes, passagens para participação em "congressos" e
"material educativo" gratuito. Jovens médicos recebem de
laboratórios verbas para pesquisa . As escolas de medicina recebem grandes
somas de dinheiro para experiências clínicas e pesquisas farmacêuticas. Os
laboratórios oferecem regularmente jantares de gala e coquetéis para grupos
médicos. Eles fornecem verbas para a construção de hospitais, escolas de
medicina e institutos "independentes" de pesquisa.
A indústria farmacêutica, propositalmente, tem procurado exercer uma forte
influência dentro das escolas de medicina. Na universidade, o médico é
perito em doenças agudas, em doenças terminais e em modelos animais
(cobaias) de doenças humanas. O médico tem pouca ou nenhuma experiência
quanto às necessidades diárias de um doente crônico ou de um doente com
sintomas precoces de doença grave. Como o médico acadêmico não depende da
boa vontade do paciente para sua sobrevivência, o bem-estar do paciente se
torna de pouca importância para ele. Esses fatores o tornam péssimo juiz da
eficácia dos tratamentos e um simples peão no jogo da indústria da saúde.
Com a ajuda de médicos acadêmicos de influência, os laboratórios
conseguiram controlar o exercício da medicina nos Estados Unidos.
Atualmente, eles estabelecem os padrões, contratando pesquisadores para
fazer estudos que mostrem a eficácia de seus produtos ou desmerecem os
produtos dos concorrentes.
A indústria alimentícia e a indústria farmacêutica estão intimamente
aliadas. Os laboratórios freqüentemente produzem os aditivos usados nos
produtos alimentícios. Várias indústrias de alimentos foram compradas pela
indústria farmacêutica. Esse conglomerado muitas vezes patrocina pesquisas
em universidades de grande prestígio. Um professor de nutrição da
Universidade Harvard publicou vários estudos comprovando que os aditivos químicos
na comida não causam hiperatividade nas crianças. Ele publicamente endossou
o consumo de refrigerantes, doces e aditivos químicos na alimentação
infantil, argumentando que as crianças hiperativas não devem ser tratadas
com controle alimentar, mas sim com os medicamentos de rotina. A Nutrition Foundation
prestigiou esse cientista, fundando um laboratório, com seu nome, no campus
da Universidade Harvard. A terapia de rotina para crianças hiperativas
implica no uso de Ritalina, uma droga semelhante às anfetaminas. Ritalina
produz dependência, pode provocar comportamento psicótico e atinge altos
preços no tráfico das drogas.
Estes fatos descrevem apenas uma parte do problema. Médicos são
pressionados para adotar tratamentos que eles sabem que não funcionam. Um
exemplo claro é a quimioterapia, que não funciona para a maioria dos
cânceres. Há mais de uma década existem provas mostrando que a
quimioterapia não elimina o câncer do seio, do cólon ou do pulmão. Os
estudos que relatam efeitos positivos da quimioterapia nesses tumores foram
comprovadamente manipulados. A maior parte de estudos sobre quimioterapia
de câncer considera os pacientes que morrem pela toxicidade dos
medicamentos como "impossíveis de serem avaliados". Essas mortes
não entram nas estatísticas de mortalidade. Em um conhecido documento sobre
quimioterapia, os pesquisadores ignoraram as estatísticas das mulheres
cujos tumores não respondiam. Apesar desta omissão clamorosa, a
sobrevivência do grupo das mulheres tratadas foi apenas 12% superior ao
grupo das mulheres não tratadas. Avaliando cuidadosamente o estudo
original, fica evidente que a quimioterapia reduz o tempo em que viviam sem
tumores?
A maioria dos médicos concorda que a quimioterapia é ineficaz para a maior
parte dos tipos de câncer. Apesar desse fato, médicos honestos são forçados
a usar essa modalidade de tratamento por grupos de pressão, que têm
interesse nos lucros da indústria farmacêutica. Quando um médico da
Califórnia prescreve 5-flourouracil
para um paciente com câncer no cólon, ele é recompensado. Isto
acontece apesar de muitos artigos em revistas médicas de prestígio terem
demonstrado que o medicamento não funciona. O mesmo médico não será
recompensado ao tratar o paciente com alta dosagem de vitamina C. De fato,
ele corre o risco de perder sua licença médica. Não há nada na literatura
médica indicando que o tratamento nutricional de pacientes com câncer é
perigoso. Por outro lado, existe vasta literatura sustentando o raciocínio
científico que recomenda o uso deste tipo de tratamento.
Situação semelhante existe no campo da alergia. Médicos acadêmicos — com o
apoio da indústria alimentícia e da indústria farmacêutica — estão tentando
desacreditar os pesquisadores que descobriram que a alergia a alimentos é
um grande problema médico. Eles citam diversos estudos não controlados,
enquanto ignoram a enorme quantidade de estudos científicos que mostram a
disseminação de alergias a alimentos.
Estes são apenas alguns fatos que mostram a corrupção no campo da medicina.
O médico de família deixou de ter a liberdade de escolher o tratamento que
ele julga ser o melhor. Ele precisa seguir regras estabelecidas por médicos
comprometidos, cujas decisões podem não ser do interesse do paciente. Você,
contribuinte, eleitor, consumidor, pode ajudar a enfrentar essa corrupção.
Você precisa assumir o controle sobre sua saúde. Se você não entende por
que seu médico prescreve certo medicamento ou tratamento, faça perguntas.
Se o médico fica impaciente ou zangado, procure cuidados médicos em outro
lugar. Dê forças para o médico que usa formas não-convencionais de
tratamento, sem usar medicamentos. Ele está arriscando o ganha-pão e a
liberdade pessoal. Ele procura ajudar a você e não quer se acomodar aos
mandamentos da indústria da saúde. Com seu apoio, ele pode se aliar a um
número crescente de médicos que repudiam a tirania do complexo industrial
da saúde.
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Dr. Alan S. Levin
é médico catedrático de imunologia e dermatologia na Universidade da
Califórnia, São Francisco. Ele é co-autor de dois livros, sendo um deles
"A Consumer Guide
for the Chemically Sensitive" (Guia do consumidor para as
pessoas sensíveis a produtos químicos).
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