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Quebrando o hábito
de usar antibióticos
“Quebrando
o hábito de usar antibióticos; Guia para os pais sobre tosse, resfriados,
infecções de ouvido e dores de garganta”, do Dr. Paul Offit,
Fass Offit e Bell, é o título de um excelente livro que encontrei e que
fornece muitos detalhes sobre os motivos pelos quais não devemos aceitar
uma receita de antibióticos para tratar tosse, resfriados, infecções de
ouvido e dores de garganta. Os autores acreditam, que embora possa parecer
que esses medicamentos estejam fazendo efeito, sem eles o seu filho também
iria se curar.
Eles apresentam dois argumentos.
Primeiro,
a maioria das infecções do trato respiratório superior é causada por vírus
e NÃO por bactérias. Os vírus causam resfriados, dores de garganta e
bronquite — logo, antibióticos não devem ser prescritos para bronquite. Os
autores informam, que para cada 100 crianças com infecção viral, apenas uma
apresenta infecção bacteriana. As infecções virais são muito mais comuns e
muito mais contagiosas do que as infecções bacterianas. Uma das
estatísticas que apresentam, mostra que, de cada 1.000 pessoas que entram
em contato direto com a meningite bacteriana, apenas três ficarão doentes.
Ao passo que 900 crianças em contato próximo com a catapora vão adoecer.
O segundo
argumento é que tomar um antibiótico não só é inútil como
perigoso. “50% das
crianças que recebem várias séries de antibióticos vão passar a abrigar
bactérias resistentes aos efeitos de muitos antibióticos”.
Entre as bactérias resistentes a antibióticos, poderão estar as salmonelas,
as micobactérias da tuberculose ou os estreptococos que provocam pneumonia.
Após uma única dose de determinado antibiótico, cepas de estreptococos
resistentes ao medicamento aumentaram de 2% para 55%.
Quase todas as crianças pequenas abrigam essa bactéria, sem que elas causem
infecção. Entretanto, a cada aplicação de antibióticos, mais e mais
bactérias resistentes proliferam, aumentando o risco de que alguma delas
venha a infectar a pessoa — e não responda ao tratamento com antibióticos.
Tenho certeza de que você vai concordar que é melhor reservar o uso de
antibióticos para o caso de o seu filho contrair pneumonia — sabendo que o
medicamento fará efeito — do que aplicar antibióticos inúteis para
infecções infantis comuns, que poderiam ser facilmente tratadas por meios
naturais — aumentando o risco de que uma doença mais séria não responda à
medicação.
Um dos fatos mais alarmantes apresentados no livro é que o risco de o seu
filho desenvolver uma infecção por estreptococo resistente (que pode causar
pneumonia) é mais elevado se ele tomou antibióticos nos três meses
anteriores.
Um dos motivos pelos quais mais recursos são gastos no desenvolvimento de
vacinas é a resistência a medicamentos, causada pelo uso indiscriminado de
antibióticos. Por exemplo, encontramos agora casos de resistência na
pneumonia estreptocócica que sempre costumava responder à penicilina. A
meningite bacteriana sempre respondia à vancomicina.
O aparente sucesso dos antibióticos obscureceu a necessidade de levar em
conta todo o contexto ecológico em que a doença se desenvolve. Embora os
antibióticos possam interferir no modo como as células bacteriológicas se multiplicam
no organismo, eles não tratam do problema do porquê algumas pessoas “pegam”
infecções. Agora que bactérias resistentes a antibióticos se desenvolveram
devido ao abuso — e a incidência de casos de câncer continua aumentando
apesar dos avanços na sua pesquisa e tratamento — a ciência médica
novamente está perguntando por que o sistema imunológico de certos
indivíduos os torna mais suscetíveis a certos tipos de doença.
A grande maioria das doenças infantis será tratada pelos mecanismos de
defesa inatos da criança — apoiados pelo bom senso da mãe, carinho e
alimentação saudável. Para perceber se o seu filho realmente precisa de
cuidados médicos, os aspectos mais importantes para diagnosticar uma doença
são mudanças no comportamento, na aparência e o histórico médico — ou seja,
como os sintomas apareceram. Você sabe se o seu filho está realmente
adoentado, porque é você que o conhece intimamente quando está são. As
infecções sérias são sempre óbvias; o seu filho parece muito doente; sem
ânimo, letárgico e não reage nem mesmo quando a febre abaixou. Se ele
estiver com febre ou dores fracas, mas estiver ativo e animado — não há
motivo para preocupação. Em outras palavras, “Se o seu filho não se sente doente, não tem
aspecto de doente e não age como doente, então provavelmente ele não está
doente”. Se estiver letárgico, irritadiço e com aspecto
doentio, então pode ser que precise de ajuda para combater a infecção ou
doença. Porém, a boa notícia é que todos esses sinais poderão ser reunidos
para indicar o remédio homeopático adequado, que dará ao sistema
imunológico um impulso que o ajuda a combater a infecção.
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Fonte: Magda Taylor em The Informed Parent,
nº 4 de 2004
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