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Medicina em crise imprimir
 

A indústria farmacêutica e o Terceiro Mundo

mão cheia de comprimidosA indústria farmacêutica recomenda medicamentos, como solução instantânea e barata, para a enorme quantidade de doenças que existem no Terceiro Mundo. Será que os medicamentos realmente trazem mais saúde?

1. Um grave problema
A indústria farmacêutica continua oferecendo, no Terceiro Mundo, medicamentos que são contra-indicados e cuja venda já foi suspensa ou até proibida no Primeiro Mundo.

No Terceiro Mundo, os laboratórios recomendam alguns medicamentos para um uso muito ampliado. E omitem os efeitos colaterais.

2. Informação errônea gera risco de vida
O medicamento é um produto químico que deve vir acompanhado de informação. Só com informação correta pode ser usado de forma segura. Entretanto, a indústria farmacêutica aumenta suas vendas, oferecendo informação deturpada e até errada — e isso não ocorre apenas no Terceiro Mundo.

POR EXEMPLO: OS ANTIBIÓTICOS

Os antibióticos têm um papel importante no tratamento de infecções bacterianas graves (por exemplo: de pneumonia). Só deveriam ser usados em casos específicos. Seu uso muito freqüente provoca resistência.

O uso de antibióticos para doenças contra as quais não fazem efeito é totalmente irresponsável. No Terceiro Mundo os antibióticos são usados contra inúmeros males, porque a venda sem receita permite esse abuso em larga escala. Nos últimos anos houve uma série de epidemias causadas por germes resistentes. Milhares de pessoas morreram em conseqüência da venda irresponsável de antibióticos.

Para matar bactérias resistentes precisamos sempre de novos antibióticos. Novos antibióticos propiciam grandes lucros, pois a indústria estimula o uso desses medicamentos de reserva também para infecções banais.

3. Medicamento contra tudo
A desnutrição torna as pessoas mais suscetíveis a doenças. A OMS calcula que 75% de todas as doenças podem ser evitadas com boa alimentação, água limpa e melhor higiene. Isso não impede a indústria farmacêutica de incentivar o uso de medicamentos contra doenças, onde seu emprego é absurdo e arriscado.

POR EXEMPLO: DIARRÉIA

Na maioria dos casos, os medicamentos não ajudam, mas a reidratação oral com um pouco de açúcar e sal salva muitas vidas. Na Costa Rica, o número de bebês que morriam de desidratação diminuiu 98% em dez anos com a terapia de reidratação oral.

Uma série de medicamentos contra a diarréia contém substâncias perigosas. Há também outros que não são perigosos, mas são inúteis e trazem o risco de retardar o tratamento certo. Essa política representa um imenso desperdício dos poucos recursos no Terceiro Mundo.

4. Terapia melhor com menos medicamentos
Mais medicamentos, não significa melhor saúde. Apenas uma pequena parte das doenças pode ser curada com medicamentos.

Precisamos apenas de um número restrito de produtos. É possível e necessário fazer uma seleção dos medicamentos mais apropriados.

OS MEDICAMENTOS CERTOS
Os hospitais-escola mais importantes dos EUA utilizam menos de 700 medicamentos.

A OMS elaborou uma lista de medicamentos essenciais que contém apenas 250 produtos.

Na Grã-Bretanha, os médicos desenvolveram uma lista de 150 medicamentos que, em 90% dos casos, permitem um tratamento satisfatório.

OS MEDICAMENTOS ERRADOS
Na Alemanha, uma comissão do governo pesquisou os medicamentos utilizados em dez áreas de aplicação. Resultado: 47% dos medicamentos foram considerados de efeito duvidoso.

Uma entidade americana especializada no assunto, calcula que 70% dos medicamentos que hoje estão disponíveis no mundo, são “duplicatas, similares ou dispensáveis”.

Novos lançamentos também não constituem progresso. O órgão americano de controle de medicamentos, a FDA, considera que 80% de todos os novos medicamentos surgidos no mercado, não representam nenhum ou apenas pouquíssimo progresso.

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Fonte: BUKO Pharma-Kampagne, Bielefeld, Alemanha

 
 
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