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As drogas
farmacêuticas
e as mortes que provocam
Sylvie Simon
Existem, nos EUA, inúmeros acidentes provocados
por jovens sob a influência de drogas farmacêuticas,
legalmente comercializadas e prescritas por médicos.
Ed Harris, de Columbine High, estava sob o efeito de Luvox quando
matou 12 colegas e seu professor, em Denver, no Colorado.
Kip Kinkel, de Springfield, no Estado do Oregon, estava diminuindo
progressivamente o uso de Prozac quando matou 24 de seus
colegas de classe, bem como membros de sua família.
Shawn Cooper, de Notus, no Estado de Idaho, tinha 15 anos e tomava Ritalina quando
atirou em seus colegas na escola. Elizabeth Bush tinha 14 anos
e tomava Prozac quando atirou nos alunos, seus amigos
e feriu um deles em Williamsport, na Pensilvânia.
T. J. Solomon, tomava Ritalina, quando matou 6 colegas
em Conyers, na Georgia.
Jason Hoffman tomava Effexor e Celexa, quando
feriu 5 colegas de seu colégio, na Califórnia.
Cory Baadsgaard tomava Paxil, quando pegou uma espingarda
e fez 23 alunos de reféns, antes de ser desarmado pelo diretor.
Ele não guardou nenhuma lembrança desse episódio
e passou os quatorze meses seguintes em um centro de detenção
para jovens.
Algumas vezes, esses jovens voltam essa violência contra
si próprios. Assim, Julie Woodward morreu aos 17 anos, depois
que um terapeuta lhe disse que Zoloff era “necessário
para sua cura e muito benigno”. Tão benigno que,
no sexto dia do tratamento, seus pais encontraram seu corpo pendurado
na garagem.
Em 10 de fevereiro de 2004, Traci Johnson, uma jovem estudante
de 19 anos de Bensalem, também se enforcou, enquanto participava
dos testes sobre a principal substância do Cymbalta. Esse
medicamento, estudado pelo laboratório Lilly para tratar
a depressão e a incontinência urinária devida
ao stress, estava prestes a obter a aprovação do
FDA.
Após seis dias de tratamento para depressão com Zoloff,
um menino de 13 anos suicidou-se. Entretanto, o tribunal de Kansas
achou que não havia provas suficientes para ligar o drama
ao Zoloff.
Essa lista não é exaustiva e só reflete uma
parte ínfima de situação nos Estados Unidos.
Se qualquer um desses acidentes tivesse sido provocado por drogas
proibidas, o mundo inteiro teria acusado os traficantes e os revendedores
de drogas como a cocaína, o LSD, as anfetaminas e a maconha.
Mas, como os medicamentos foram prescritos por médicos ou
psiquiatras respeitáveis, fabricados por laboratórios
de prestígio, preferimos ignorar essas “poucas mortes
acidentais” que procura-se, muitas vezes, manter no anonimato.
É bem mais simples, considerar que esses jovens são os únicos
responsáveis por esses atos e que a violência é um flagelo
crescente, mas inevitável. E, de qualquer maneira, esses jovens são
os únicos a pagar. Os laboratórios e os médicos — que
preferem ignorar os efeitos deletérios dos medicamentos que prescrevem — conseguem
sempre se safar com honras de guerra e, se são algumas vezes considerados
responsáveis, nunca são julgados culpados.
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Fonte: Votre Santé n° 63 – dezembro
de 2004 |
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