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Transplante
de órgãos
Pastora
apresenta queixa ao Tribunal Superior Federal da Alemanha
A
pastora Ines Odaischi, da Igreja Evangélica do Estado
de Baden-Württemberg, apresentou em janeiro de 2001 uma
queixa ao Superior Tribunal Federal da Alemanha solicitando um
aprimoramento da Lei do Transplante: que a retirada de órgãos
após a assim chamada "morte cerebral" seja efetuada somente
sob anestesia. Como durante a retirada dos órgãos
ocorrem nos doadores fortes oscilações na curva
cardiológica, bem como um aumento significativo da pressão
sangüínea, sudorese e/ou movimentos bruscos defensivos
com braços e pernas, a pastora entende que é preciso
presumir que o agonizante apresenta uma certa forma de consciência
e também sente dor.
Além do testemunho de peritos, que confirmam a existência
da sensação de dor em pacientes com "morte cerebral",
a pastora apresenta uma carta da Fundação Alemã de
Transplantação de Órgãos. Nessa carta
admitem que não é possível verificar se um
paciente declarado como caso de "morte cerebral" realmente não
sinta mais nada.
Segundo a pastora (ela mesma doadora declarada de órgãos),
precisam ser tomadas medidas legais imediatas, para que pessoas — que
decidiram livremente doar os seus órgãos — não
fiquem sujeitas a um martírio no momento da retirada dos órgãos.
De acordo com a pastora, não é isto que ocorre: somente
cerca de 50% dos agonizantes recebem uma anestesia — e isto
apenas "por baixo do pano". Os demais são retalhados sem
anestesia.
A pastora também considera a prática comum de diagnosticar
a "morte cerebral" quando os pacientes inconscientes são — para
constatar uma possível ausência das funções
cerebrais — submetidos a métodos que visam provocar
dor, sendo assim uma violação das leis constitucionais
que protegem a dignidade humana e o direito à vida e à integridade
física. Esses métodos incluem causar dores fortes
para provocar reflexos: picar as narinas, irritar as córneas
e a garganta, irritar os brônquios com sonda, exercer forte
pressão sobre o globo ocular, introduzir água gelada
no canal auditivo e até fazer uma angiografia. Segundo declarações
de peritos, não é possível descartar a possibilidade
de que os pacientes em coma fujam das dores causadas para diagnosticar
a morte cerebral entrando em um coma mais profundo ou até chegar
à morte. Como uma angiografia pode ser letal para um paciente
com trauma cerebral, a pastora também rejeita este tipo
de diagnóstico.
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Fonte: Raum & Zeit, nº 110, março/abril
2001, Wolfratshausen, Alemanha. |
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