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Riscos
dos xenotransplantes
A
pressa em começar xenotransplantes (transplantes de órgãos
animais para seres humanos) é provocada mais por considerações
técnicas, pelo ego de cirurgiões e pesquisadores
e pelo lucro obtido com a biotecnologia, do que por uma verdadeira
preocupação com saúde e segurança.
Na curta história dos xenotransplantes, nenhuma tentativa de colocar um órgão
animal em um corpo humano teve sucesso. As pessoas que receberam órgãos
de animais sofreram graves complicações e nenhuma deixou
o hospital com vida. Todas morreram poucos meses após o transplante.
Desde o início dos xenotransplantes, as autoridades de saúde reconheceram
os riscos de transplantes de órgãos de animais para a saúde
humana.
Rejeição e infecção: O
transplante bem sucedido de órgãos inteiros de porcos geneticamente
manipulados para seres humanos está se tornando cada vez menos provável.
O enorme problema da rejeição do órgão ainda não
foi superado e experiências em animas ainda não mostraram que
o órgão de um porco pode realmente sustentar a vida de um primata
ou um ser humano. Por exemplo, o fibrinogênio (um agente coagulador do
sangue) é produzido pelo fígado. No entanto, não é provável
que o fibrinogênio produzido pelo fígado de porcos possa interagir
adequadamente com plaquetas sangüíneas humanas, causando hemorragias
no receptor do transplante. Além disso, o risco de infecção
de uma espécie para outra e a criação de novas doenças
continuam pairando pesadamente no horizonte.
Intoxicação: O uso
maciço de medicamentos destinados a suprimir o sistema imunológico
nos receptores de um xenotransplante provoca reações tóxicas
e aumenta os riscos de câncer. Até mesmo pacientes que receberam
um transplante de órgão humano precisam de intervenção
médica devido
à sua reação aos medicamentos imunossupressores. Esses
medicamentos deverão ser ministrados em doses muito mais elevadas aos
receptores de xenotransplantes, causando ainda mais problemas médicos.
Problemas financeiros: Os custos
do xenotransplante serão astronômicos. O uso vitalício
de medicamentos, as hospitalizações periódicas e a possibilidade
de surgirem novas doenças vão extenuar o sistema de saúde
já sobrecarregado.
Mitos e fatos dos xenotransplantes
Mito nº 1: O xenotransplante
representa o que há de mais moderno na medicina.
Fato: O xenotransplante de órgãos
continua na fase pré-experimental, com índice de falha de 100%.
Tem, porém, o incrível potencial de gerar lucros que chegam a
100 bilhões de dólares para as indústrias de biotecnologia,
farmacêutica e médica. Como resultado, os xenotransplantes podem
levar o nosso sistema de saúde à falência.
Mito nº 2: Os órgãos
de animais podem servir como "pontes" até que órgãos humanos
estejam disponíveis.
Fato: Já existem órgãos
artificiais para servir como "pontes".
Mito nº 3: Órgãos
e tecidos de animais são resistentes às doenças humanas.
Fato: É provável
que os órgãos e tecidos animais atuem como fontes de novas doenças
ou contribuam para a reativação de doenças antigas.
Mito nº 4: Animais doadores
podem ser criados livres de doenças e seguros.
Fato: Cada célula
do animal doador contém material endógeno retroviral genético,
que não pode ser removido por criação seletiva ou intensiva,
livres de germes.
A comunidade médica cita o alto número de pacientes na fila de
espera por um transplante como motivo para praticar transplantes de órgãos
animais. Entretanto, costuma omitir tudo aquilo que pode ser feito para evitar
a necessidade de xenotransplantes.
Como reduzir o número de receptores
A lista de pessoas que receberam um transplante ou que estão na fila de
espera diminuiria se fossem:
- criados
critérios seletivos para remover pacientes com poucas
chances de sobreviver com órgãos novos;
- aprimoradas
as técnicas de diagnóstico e cirúrgicas
para diminuir a necessidade de transplantes;
- dadas
maiores
ênfases em campanhas de prevenção de doenças — por
parte da indústria, do governo e dos próprios indivíduos;
- aprimorados
os avanços para assistir às pessoas com falhas
orgânicas. Estes incluem: dispositivos miniaturas que
já estão sendo testados para ajudar o coração;
o implante de células coronárias para corações
danificados; e fígados bio-articiais feitos de culturas
de células de fígado humano.
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Fonte: Adaptado do folheto Xenotranplantation da American
Anti-Vivisection Society.
Nosso
mundo está sendo arruinado levianamente
por pessoas que se chamam cientistas,
mas não passam de aventureiros.
Ana Primavesi
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