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Qual o preço da beleza?
Pat Thomas
Como acontece com muitas mulheres de certa idade, os meus
cabelos estão ficando grisalhos. A primeira vez que notei, foi num dia de
sol, indo de carro para o meu trabalho. Olhando pelo retrovisor, vi um
monte de fios brancos espalhados pelos meus cabelos. Meu choque foi tão
grande que quase bati o carro.
Sem pensar muito, comprei um vidro de tintura para cabelo, acho que mais
para preencher o buraco entre como me sentia (ainda jovem por dentro) e a
minha aparência (visivelmente envelhecendo por fora). Numa cultura obcecada
pela juventude e beleza, tingir os cabelos é considerado uma exigência
social. Três entre cinco mulheres com idade entre 18 e 55 anos,
regularmente passam cremes de cheiro forte, loções e géis na cabeça,
agradecidas pela solução mágica, imediata e econômica para o desejo de ser
algo ou alguém diferente.
A
realidade é que essas tinturas são uma mistura agressiva de substâncias
químicas tóxicas, incluindo solventes ácidos — apropriados para a limpeza
de banheiros — bem como alcatrão e outras tintas mutagênicas e
cancerígenas. Descobri isso pesquisando meu livro: “Cleaning Yourself to Death”
(Você se mata de tanta limpeza) e a questão foi reforçada, quando uma
mulher inglesa morreu tragicamente de choque anafilático, após pintar os
cabelos, na semana da publicação do livro. Lamentavelmente, essa mulher já
tinha tido uma experiência negativa com tintura de cabelos, mas ignorou os
sinais de alerta do seu organismo e tentou novamente.
Eu passei anos procurando alternativas mais seguras e, aparentemente,
existem muitas escolhas. Infelizmente, você não pode produzir uma tintura —
pelo menos não algo permanente — sem esses produtos químicos assustadores.
A maioria das alternativas “naturais” contém os mesmos ingredientes fortes,
embora em menor quantidade, que os produtos convencionais. Alternativas
verdadeiramente naturais são raras, não duram muito e são difíceis de
achar.
Como todos os aspectos da vida moderna, tingir os cabelos tornou-se um
exercício de equilíbrio e aprendizado na escolha dos venenos. Pesquisas
nesta área mostram que, quanto mais a mulher pinta os cabelos, mais
propensa está a contrair um câncer de ovário, linfático ou de mama. A
partir da meia idade, mulheres que usam tintura para cobrir os cabelos
grisalhos estão, de alguma forma, menos propensas ao risco. Entretanto, a
moda das jovens de mudar radicalmente e com muita freqüência a cor dos cabelos
a partir da adolescência, pode ser a receita para doença grave e até uma
morte prematura.
Os riscos potenciais da tintura de cabelo nos obrigam a tomar medidas de
proteção em relação a nós mesmas e, particularmente, em relação às mulheres
mais jovens, que podem se viciar tanto em mudar a cor dos cabelos como em
cigarros, bebidas alcoólicas, cafeína e outras muletas psico-emocionais. O
maior desafio talvez não seja encontrar uma tintura mais segura, mas
encontrar uma forma de ficar em paz consigo mesma e com sua aparência pelo
maior tempo possível. É certamente uma forma mais satisfatória de viver e,
finalmente, uma meta bem mais positiva do que ser o cadáver mais bonito no
cemitério.
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Fonte: PROOF!, agosto 2003
A tintura dos cabelos e o câncer da bexiga
Um estudo americano
mostra que o risco de contrair um câncer da bexiga dobra para as pessoas
que tingem o cabelo em média uma vez por mês. Explicação: os produtos contidos nas
tinturas passam para o interior dos cabelos e depois para o sangue, para serem,
finalmente, retidos na bexiga. (Viva!,
Maio 2004)
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