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Outra visão da AIDS

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As idéias falsas sobre a AIDS

Dominique A.

Considerando as áreas em que trabalhava (agricultura, indústria, ONU) quando permaneci na África (dezembro de 1998 a dezembro de 1999), compreendi certas causas da suposta expansão de uma epidemia da AIDS na África e, de maneira geral, nos países do cinturão trópico-equatorial.

Já estava, então, a par da polêmica a respeito da relação contestada entre vírus e síndrome e a respeito das populações ditas "de risco". Entretanto, não percebia bem a relação com as populações rurais. Eu a compreendi logo, diante de questões insolúveis, como, por exemplo, diagnosticar e tratar corretamente uma pessoa:

  • que bebe e utiliza, todos os dias, para se lavar e cozinhar, uma água carregada de desfolhantes, pesticidas, neurotóxicos, adubos, fungicidas, mercúrio e arsênico (nas regiões auríferas);
  • que sofre de malária crônica, de amebíase recorrente, provavelmente de filariose;
  • que já foi submetida a dezenas de campanhas experimentais de vacinação;
  • que não pode tratar corretamente suas feridas e suas cáries;
  • que, quando bebê, foi alimentada com leite em pó e sofreu de desnutrição;
  • que continua persuadida que é vítima de magia;
  • e que não pode pagar um único dia de hospital.

Sabendo que, na França, são necessários muitos anos para que vítimas de esclerose múltipla reconheçam a relação entre o seu estado e a vacina contra a hepatite B, podemos facilmente imaginar a qualidade do diagnóstico do pessoal de um ambulatório em plena savana africana. Dirão certamente que "a mortalidade infantil não é tão grande que se possa suspeitar do meio ambiente", mas, como certos tóxicos levam, às vezes, mais de dez anos para se acumular no organismo, o argumento não tem base.

De qualquer modo, certamente não são as doses maciças de AZT prescritas que vão melhorar o estado dos pacientes. Como avaliar as interações entre o tratamento, os metais pesados e os neurotóxicos acumulados no organismo, negligenciando simplesmente de início a existência destes últimos?

Seja como for, durante minha permanência e no ano seguinte, pelo menos quatro pesquisadores africanos (congoleses e outros) foram assassinados, seus laboratórios incendiados e seus documentos apreendidos, roubados ou destruídos. Trabalhando com o fortalecimento do sistema imunológico, eles afirmavam ter desenvolvido medicamentos à base de plantas, que podiam devolver a saúde aos doentes afetados pela AIDS e mesmo tornar soronegativos os pacientes soropositivos, já muito enfraquecidos (o que, tendo em vista os testes feitos na África e seu grau de especificidade, nada têm de milagroso).

Na verdade, como pode um "médico normal" questionar as idéias falsas divulgadas sobre a relação entre tal sintoma e tal doença e a prescrição de tal medicamento, quando a única documentação ao seu alcance são os catálogos dos representantes de laboratórios que os visitaram e as revistas especializadas, especificamente editadas ou financiadas pelos próprios fornecedores? A maioria dos clínicos gerais dispõem de pouco tempo para procurar sites dissidentes na Internet.
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Fonte: Votre Santé, nº 32 — maio de 2002

 

 

 

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