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Confiando na vida
Johan Verhoven foi
diagnosticado soropositivo há vários anos.
Em Johanesburgo ele falou de suas experiências,
incluindo suas viagens de bicicleta pelos trópicos
Sete anos atrás, eu me candidatei a um emprego e uma das
exigências era que a pessoa fizesse um teste Elisa. Fiz o teste e deu
positivo. No começo estava muito preocupado com isso, passei o trauma
normal pelo qual as pessoas passam. Mas, com o tempo, me dei conta de que,
na realidade, não havia nada de errado comigo e que estava tão saudável
como sempre. Aquilo me fez refletir. O tempo passou e houve todas essas
previsões fatalistas de que iria morrer em um período curto de tempo e aquilo
simplesmente não aconteceu. Não senti absolutamente nenhuma mudança na
minha saúde física.
Naquele tempo, eu estava trabalhando na clínica de uma missão católica
perto de Pretoria, no coração de uma favela densamente povoada. Lá estava
crescendo toda essa histeria sobre o percentual de pessoas soropositivas e
diziam que estávamos no meio de uma epidemia e assim por diante. Mas olhei
o que estava acontecendo na clínica e, a maioria das pessoas que
supostamente estavam sofrendo de AIDS, na verdade, tinham tuberculose e
diversas outras doenças curáveis. A maioria daqueles que foram receber um
tratamento comum, como o tratamento de tuberculose ou sei lá o quê, sarou,
recuperou a saúde. Por outro lado, eu também vi que diversas pessoas que
conhecia estavam tomando AZT e remédios semelhantes e eles começaram a
mostrar os sintomas clássicos daquilo que é considerado AIDS. Eles perderam
peso e tiveram diarréia e por aí vai. Foi assim que decidi descobrir por
mim mesmo, de acordo com meu próprio discernimento, o que é verdadeiro e o
que é falso.
Era muito difícil, na África do Sul, naquela época, porque apenas um lado
da discussão estava sendo apresentado. Mas eu estava numa livraria em
Pretoria e topei com o livro de Neville Hodgkinson, “A.I.D.S., the Failure of
Contemporary Science"(AIDS, o Fracasso da Medicina
Contemporânea). Comecei a ler o livro e ele basicamente confirmou toda a
minha experiência pessoal. Foi o primeiro contato que tive com um ponto de
vista alternativo. Comecei a ler mais e mais, tudo que podia encontrar.
Eu discuti essas outras coisas com meus amigos que eram médicos e todos
foram bastante hostis, claro. Falei sobre isso com diversas pessoas com
quem tinha contato e eles estavam um pouco mais abertos. Mas na África do
Sul existe uma imensa rede de ONGs no setor de saúde, de clínicas privadas
e assim por diante, que dependem diretamente, para sua subsistência, dos
fundos que recebem para programas de AIDS e para o trabalho que fazem com a
AIDS. Portanto, a maioria não estaria muito aberta a qualquer ponto de
vista alternativo. No público em geral achei pessoas que diziam "Todas essas previsões não
estão se tornando verdade. Nós não vemos um vasto número de pessoas
morrendo". E as pessoas começam a questionar e a perguntar
o que está realmente acontecendo.
Na realidade tenho muitos amigos íntimos que são médicos e eles tentam me
convencer o tempo todo de que, sem dúvida, deveria tomar medicamentos e
fazer a contagem de células e esse tipo de coisa. Em certa altura eles
estavam até dando medicamentos contra tuberculose preventivamente para as
pessoas. Começaram a me dizer "Bem,
quando a sua contagem de células T alcançar um determinado nível, então
terá que começar a tomar medicamentos contra tuberculose preventivamente e
talvez tentar participar de uma pesquisa". Fizeram uma
pressão enorme, mas sempre resisti.
Também não fiz contagem de células T e exame de carga viral. De maneira
nenhuma, nem pensar! Vi pessoas fazendo contagem de células T e carga viral
e as células T sobem e descem e a carga viral sobe e desce. Quando a
contagem de célula T começa a descer, eles entram em tal frenesi e tal
depressão e tal estado negativo da mente, que penso que aquilo se alimenta
de si mesmo. Li também muito sobre psiconeuroimunologia e está provado cientificamente
que o estado mental afeta diretamente a contagem de células T. Portanto,
quando essa começa a cair por qualquer razão e você se preocupa com isso,
porque pensa que o vírus está começando a te matar e você entra em
depressão, é lógico que a contagem de células T vai cair ainda mais. Vi
isso acontecer nas pessoas. É por isso que nem penso em me submeter a isso.
Depois
que recebi o diagnóstico, eu decidi me dedicar ao ciclismo como esporte.
Pensei: deixe-me fazer alguma coisa que eu goste e que seja saudável.
Comecei a fazer viagens de bicicleta. Pedalei de Johanesburgo a Durban;
pedalei de Johanesburgo a Moputu e, num certo ponto — isso foi seis anos
depois do teste Elisa positivo —, queria provar aos meus amigos médicos,
exatamente aquele grupo com o qual estava falando, que realmente não há
nada de errado comigo.
Eu peguei a mountain-bike
e pedalei de Johanesburgo a Malawi que está a meio caminho da África Central.
Terminei na capital chamada Lulongwe. É uma distância de, aproximadamente,
três mil quilômetros através da África Central tropical. Acho que comprovei
o queria.
Este ano, na verdade, pretendo pedalar daqui a pelo menos Nairobi e, se
conseguir, até o Cairo. Daqui ao Cairo creio que deve levar cerca de cinco
meses. Se não ficar sem dinheiro quando chegar a Nairobi vou continuar até
o Cairo. Acredito que isso mostra para as pessoas que, apesar de ter
passado por aquilo que eles consideram uma doença fatal, estou com melhor
saúde do que pessoas com metade da minha idade, estou com melhor saúde do
que em toda minha vida, apesar de nunca ter tomado medicamentos.
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Fonte: Contunuum, vol 6, no1/2
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