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Indústrias
alimentícia e de tabaco
unem-se
para prejudicar a saúde
Documentos internos das empresas de tabaco mostraram
laços estreitos com as indústrias de alimentos e
com organismos como a Organização
Mundial de Saúde (OMS), contra medidas de saúde pública.
Um documento da OMS, Estratégias da Indústria
de Tabaco para Prejudicar as Atividades de Controle do Tabaco na
OMS (WHO 2000), mostra como essa indústria exerceu
influência
ilegal para impedir a OMS de fazer o Controle do Tabaco.
Foram também encontradas provas semelhantes da influência
ilegal praticada contra o Codex (órgão conjunto da
FAO e da OMS para estabelecer padrões internacionais de
alimentação), solapando as políticas de nutrição
das Nações Unidas.
Três dentre as quatro maiores empresas de tabaco (Philip
Morris, RJ Reynolds, Japan Tobacco) já foram pertencentes
a grandes redes internacionais de produtos alimentícios.
Além disso, os produtores de tabaco e alimentos compartilham
o mesmo interesse na exploração de pesticidas, biotecnologia,
aditivos químicos, rotulagem e publicidade.
Os documentos das empresas de tabaco — cerca de 40 milhões
de páginas — revelam a fartura de informações
sobre os métodos utilizados pelas empresas, seus advogados
e porta-vozes para esconder provas, subverter a verdade, manipular
os meios de comunicação e usar ostensivamente consultores
e cientistas independentes para promover o seu caso.
Os dois setores defendem uma causa comum em diversas áreas.
Ambos têm grande interesse em promover uma "ciência
sólida", um movimento criticado por preocupar-se menos
com o aprimoramento da qualidade científica e mais com campanhas
de relações públicas "destinadas a manipular
as provas científicas para servir os interesses corporativos".
Os dois setores apelam para argumentos em que a liberdade do indivíduo
de ceder à sua própria vontade é contraposta
a “ideólogos que policiam os alimentos”, solapando
a democracia e o modo de viver dos americanos. Ambos os setores
se beneficiam de agências privadas criadas para monitorar
o trabalho de ativistas da saúde pública.
Os dois setores estabeleceram organismos aparentemente independentes
para promover seus interesses. O mais famoso no setor de alimentos é o
ILSI, International Life Sciences Institute (Instituto Internacional
de Ciências da Vida), patrocinado pela Coca-Cola, Pepsi-Cola,
Heinz, Kellogg’s, Nestlé, Kraft e Proctor & Gamble
e muitas outras empresas, inclusive algumas de tabaco. O ILSI alega
estar “associado” à OMS, mas essas alegações
estão sendo revistas.
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Fonte: Food Magazine 59 — Out/Dez 2002
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