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Intoxicação
por amálgama
Pia Hoffmann
Minha
experiência
Atualmente o tema “hipersensibilidade por amálgama” está na
boca de todos. Como pessoa diretamente afetada, gostaria de relatar
como é difícil comprovar uma alergia por amálgama
e, ao mesmo tempo, dar coragem a outras pessoas afetadas.
Meu mal-estar começou há mais ou menos cinco anos.
Nunca tive a impressão de estar realmente doente. Porém
as pequenas indisposições foram aumentando a cada
dia. Os intervalos entre forte mal-estar e saúde aparentemente
boa foram diminuindo, de maneira que resolvi ir ao hospital para
fazer um minucioso exame. Este foi o início de idas a diversas
clínicas e muitos médicos.
Doença permanente
Havia perdido muito peso e sentia depressão profunda, sem
saber a causa. Os médicos, naquela época, também
não souberam me dar uma explicação. Tive alta
do hospital após três dias, com um “encolher
de ombros” e o diagnóstico “distonia vegetativa”.
Ainda escutaria essa expressão muitas vezes.
Fiz um tratamento prolongado e psicoterapia aparentemente bem-sucedidos.
Depois, porém, meu estado de saúde começou
a piorar. Foi um vaivém das mais diversas doenças:
hepatite, inflamação do pericárdio, inflamação
do pâncreas, dos rins, da bexiga e diarréia a todo
instante, com náuseas constantes. Uma fraqueza generalizada.
Houve momentos de ausência aparente de sintomas. Mas, durante
esse tempo, estava sempre tensa e agressiva.
Finalmente, tive um eczema no pescoço que, de tanto coçar,
me levava ao desespero. Eu coçava o pescoço até sangrar.
Além disso, fiquei com muitas espinhas no rosto. Como nunca
tive espinhas antes, fiquei assustada com tantos cravos e caroços
de pus.
Por mero acaso, encontrei o endereço de um clínico
geral que praticava medicina natural.
Correntes na boca
Ele examinou-me minuciosamente. Utilizando um pequeno aparelho,
constatou um desequilíbrio energético na região
da cabeça. Em sua opinião, havia amálgama
demais na minha boca, ou seja, em 16 dentes. Ele encaminhou-me
a um dentista para confirmar o diagnóstico. O dentista mediu
a corrente elétrica na minha boca e constatou que estava
muito elevada.
Há muito tempo eu sentia com freqüência um gosto
de metal e uma estranha tensão ao redor da boca. O gosto
de metal aumentava quando comia frutas e saladas. O pior eram as
frutas cítricas. Além disso, sempre tive dor de barriga,
náuseas e diarréia depois de comer frutas e saladas.
Uma dermatologista fez testes que mostraram uma alergia a mercúrio,
sulfato de cádmio e amálgama. No local em que ela
aplicou o amálgama apareceu, durante quase uma semana, uma
bolha e uma mancha vermelha que coçava. A pele desprendeu-se
nesse local.
O resultado do exame diagnóstico era “intoxicação
por amálgama”. Não sabia o que fazer com os
16 dentes.
Tratamento penoso
Mais uma vez o acaso ajudou. Recebi o endereço de um dentista
recém-estabelecido que usava obturações de cerâmica.
Após um exame prévio, começou o tratamento.
Quando as primeiras quatro obturações de amálgama
foram retiradas do maxilar inferior, o gosto de metal aumentou.
Náuseas, tosse por irritação, forte catarro
na garganta voltaram. Isso ocorreu toda vez que uma obturação
antiga de amálgama foi retirada.
Senti, durante todo o tratamento, verdadeira síndrome de
abstinência. Os sintomas apareciam durante a retirada das
obturações e continuavam por até três
dias. As obturações retiradas eram substituídas
por cimento e, mais tarde, por cerâmica.
Depois de nove meses, as 16 obturações de amálgama
foram substituídas por duas jaquetas de ouro e 14 obturações
de cerâmica, que são excelentes. Elas adaptam-se bem
ao dente e têm aparência natural. Não aparece
defeito no dente e um bom pedaço de dente sadio é preservado.
Receitaram-me, também, um remédio homeopático
para eliminar o amálgama do corpo. Esse tratamento, no início,
também provocou uma síndrome de abstinência.
Ainda continuo em tratamento para recuperar a defesa do organismo.
Como a minha flora intestinal foi destruída, tomo diversos
medicamentos para restabelecê-la. Certamente, ainda levará algum
tempo até que a flora intestinal e a defesa do organismo
estejam recuperadas. O gosto de metal e a corrente elétrica
na boca desapareceram, assim como a agressividade e a tensão.
Baseada nessa experiência, aconselho a todos que avaliem
a possibilidade de intoxicação por amálgama
quando doença ou mal-estar não têm explicação.
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Fonte: Natur & Heilen , abril de 1992
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