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O cérebro
Dr. Völker Zahn
Por meio das invenções
gigantescas na área da química, da física
nuclear, dos transportes e da ciência alimentar o próprio
cérebro humano produziu a ameaça da destruição.
Agora está sendo ameaçado por si próprio.
Durante milhões de anos o cérebro se desenvolveu
bem, numa interação positiva com o meio ambiente.
Na história da evolução humana, a ameaça é uma
situação totalmente nova. Nem a humanidade, nem especialistas
como médicos, pedagogos e o pessoal da saúde conseguem,
atualmente, detectar esse perigo e muito menos chegar a conclusões
e tomar as medidas necessárias.
Os médicos se preocupam, por exemplo, com medidas diagnósticas,
terapêuticas e preventivas eficazes para o coração,
o aparelho digestivo, os seios e os pulmões, mas
não cuidam do declínio mental provocado por influências
ambientais.
Entende-se por declínio mental as deficiências no
estudo e a falta de memória, a diminuição
da capacidade de compreensão e o aumento de pacientes com
Alzheimer.
É pouco conhecido que quase todas as substâncias químicas
novas — devido à sua afinidade com os lipídios — são
acumuladas sobretudo no cérebro, pois este é composto predominantemente
por gordura. Também, grande parte da poluição radioativa
atinge principalmente o cérebro — quer se trate de irradiações
naturais, de acidentes nucleares, do lançamento de bombas atômicas
ou de testes nucleares. Diversas vezes foram comprovados, nas proximidades
de usinas atômicas, os casos de danificação dos cromossomos
e de problemas intelectuais.
Outro problema importante é a falta de oligoelementos (por
exemplo, o iodo) em certas regiões, bem como a alimentação
carente ou errônea em muitos países.
Mundialmente, pedagogos observam um aumento de problemas escolares,
como dificuldades no aprendizado, problemas de memória,
hiperatividade, dislexia e muitos outros. Estão procurando
as causas destes problemas nas áreas sociais. Nem as autoridades
na área de ensino, nem pedagogos conhecem os danos profundos
que o cérebro sofre devido ao meio ambiente.
É preciso mencionar o trabalho infantil no mundo, pois o cérebro
infantil e o cérebro jovem são os mais afetados pelo meio ambiente
tóxico. O emprego de crianças no comércio das flores na
América Latina — onde utilizam grande quantidade de pesticidas — prejudica
as crianças com graves conseqüências.
Também é preciso lembrar a agropecuária com
seu uso de imensa quantidade de produtos químicos no combate
aos predadores. Não é de se espantar que, justamente
na população rural, ocorram graves doenças
ambientais, como a esterilidade entre os camponeses.
Existem poucas pesquisas científicas sobre a influência
no cérebro humano. Deveria prevalecer o princípio
da prevenção. A população acredita
nos valores-limite determinados por comissões governamentais
e confia que valores abaixo daqueles estipulados como limite não
tenham efeitos prejudiciais. No entanto — por exemplo, para
o chumbo — a Inglaterra, a Rússia, os EUA e outros
países aplicam valores-limite bem diversos.
Quais soluções são necessárias?
A formação dos professores precisa incluir uma literatura
científica padrão sobre a relação entre
os produtos químicos no meio ambiente por um lado e o
comportamento e o rendimento escolar, por outro.
O estudo da medicina precisa conter informação detalhada
sobre os poluentes ambientais. Também, os responsáveis
pelo planejamento urbano e os políticos precisam receber
formação intensiva, por exemplo, para reconhecer
e controlar melhor a qualidade do ar nos grandes centros urbanos
e alertar os pais nos dias de poluição excessiva.
Finalmente, não podemos esquecer de apoiar crianças
e jovens a manter um estilo de vida saudável, incluindo:
- alimentação natural;
- redução do tempo perante a televisão;
- sono suficiente;
- um lar saudável;
- educação bondosa;
- ordem em seu estilo de vida.
Esse conjunto de medidas evita o estresse
e eleva a qualidade de vida.
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Fonte: Wohnung + Gesundheit, dezembro
de 2003 |
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