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O problema do aborto

Dr. George E. Pickett

A minha experiência com abortos foi a experiência médica. Como interno, durante o plantão noturno, lembro-me com terror da chegada de mulheres jovens em estado de choque. Com tão pouco sangue, que parecia impossível contar células, sem pulso, sem pressão palpável — seres humanos que se podia tocar e mover. A procura de uma veia para enfiar a agulha se tornava uma obsessão. Você procurava em toda parte e fazia qualquer coisa para obter acesso a esta vida efêmera, desaparecendo rapidamente, para introduzir água e sal, depois proteína e, se você ainda tinha a chance, sangue e vida.

Se o coração ainda estava batendo, você ia rapidamente ao centro cirúrgico para tentar raspar o restante do tecido que ainda estava provocando hemorragia. Com sorte você podia reparar o dano causado por um cabide ou uma cureta improvisada ou por algum produto químico estranho e cáustico. Com bastante sorte você conseguia determinar o tipo de sangue, fazer a prova cruzada e uma transfusão e ela sobrevivia. Era apenas isto que ela havia tentado desde o começo. Porém, sem o direito e os recursos de controlar o seu próprio destino — seu próprio corpo — um ato criminoso era tudo que lhe restava.

Estes eram alguns momentos em que o fato de ser médico realmente significava alguma coisa — quando parecia realmente valioso colocar em prática o que você havia aprendido. A situação não é feliz, naturalmente, mas é tão gratificante como ajudar uma mulher a vencer um parto complicado para ter o filho desejado... Os reais culpados são aqueles que pouco se preocupam com as mulheres — e com aquilo que representa a sua vida — e se preocupam demais com as ameaças que querem impor uma ética cega e duvidosa sobre todos nós.

Na busca por direitos humanos, a comunidade precisa oferecer aos casais ajuda competente, esclarecimentos de que tanto necessitam. Não pode omitir-se e deixar que continuem ocorrendo esses episódios terríveis de derramamento de sangue e aquele terror oculto da mulher desesperada que está esperando um filho indesejado.

Pois algumas mulheres sabem que mais um filho seria um erro: para elas, para a família, e, portanto, para todos nós.
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Fonte: "The Nation's Health"

 
 
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