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Sarvodaya
Uma política comunitária
descentralizada
de pequena escala
Sarvodaya é um movimento iniciado por Mahatma Gandhi.
Sarvodaya significa a melhoria social de todos. É uma visão de
mundo radicalmente diferente dos
paradigmas da Esquerda e da Direita ou Socialista e Capitalista.
Sarvodaya não aceita a análise de classes Marxista,
nem acredita na idéia Capitalista de que pessoas são guiadas principalmente
pelo egoísmo econômico.
Sarvodaya procura uma política comunitária descentralizada
e de
pequena escala.
Essa era a visão de Mahatma
Gandhi para a Índia independente. Entretanto, sob a liderança
do Primeiro Ministro, Jawaharlel Nehru, o governo, infelizmente,
abandonou os ideais do Sarvodaya e
aderiu a um estado centralizado, uma economia industrializada e
um estilo de vida urbanizado, que beneficiou poucos e prejudicou
muitos. Entretanto, pessoas como Sidharaj continuam a viver, respirar,
pensar e divulgar os ideais Sarvodaya. Simplicidade,
auto-suficiência, oração e tecelagem são
as características marcantes de sua vida diária.
Um dos programas Sarvodaya é buscar
a saúde por meio de alimentos naturais, exercícios
regulares, yoga, tratamento com ervas e cura natural. Sarvodaya é contra
a medicina industrial e comercial e procura reduzir o uso das terapias
alopáticas. Mahatma Gandhi iniciou vários centros
de cura natural em diversas partes da Índia. Inspirada pelo
sucesso destes centros, uma clínica de cura natural se estabeleceu
em Jaipur 40 anos atrás. Foi onde nós ficamos.
Uma enorme figueira-de-bengala no meio do pátio simboliza
a relação entre a saúde humana e a natureza.
Na entrada encontra-se um bar de sucos, onde toda manhã residentes
e visitantes podem começar o dia com sucos de cenoura, pepino,
romã, abacaxi, manga ou laranja, preparados na hora. Do
outro lado da entrada, visitantes podem comprar chás de
ervas e produtos ayurvédicos feitos de frutas, raízes,
folhas, cascas e outros ingredientes naturais. Aqui os visitantes
podem também adquirir livros sobre uma vida saudável,
yoga e um estilo de vida livre de doenças.
No pátio estão salas onde os pacientes são
tratados com argila, água, luz do sol, massagem e acupuntura.
Ficamos intrigados ao ver um tratamento que consiste em enterrar
a pessoa até o pescoço por horas para tratar distúrbios
da pele, má circulação, problemas digestivos,
depressão e muitos outros males. Num clima quente, como
o da Índia, este pode ser um tratamento ideal, mas como
poderia tal cura pela argila ser realizada em clima frio?!
A equipe nos assegurou que milhares de pessoas foram tratadas com
métodos semelhantes, simples e baratos e com alto grau de
sucesso. Entretanto, o Ministério da Saúde dá pouca
atenção a estas técnicas.
“Assim como governos preferem grandes barragens, eles também preferem
grandes hospitais e grandes laboratórios farmacêuticos. Há muito
dinheiro envolvido na medicina comercial, industrial e química. Os empresários
da medicina ficam mais ricos, enquanto o indiano comum tem pouco acesso a qualquer
tratamento”, disse Sidharaj.
Há, no momento, um médico para cada 50.000 pessoas
na Índia. Médicos formados pelo governo demandam
altos salários e os medicamentos são caros. Assim,
médicos indianos vão ajudar a conduzir o serviço
de saúde britânico ou trabalhar em hospitais americanos — ou
estão desempregados, porque os hospitais indianos não
têm dinheiro para empregá-los.
A medicina ocidental não é apenas inacessível
para as pessoas comuns, é também arriscada para aqueles
que podem pagar por ela. “Quase 50% das doenças”,
de acordo com Sidharaj, “são causadas pela medicina
acadêmica ou contraídas nos hospitais.”
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Fonte: Satish Kumar, descrevendo sua viagem pela Índia na revista Resurgence nº206,
maio/junho 2001 |
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