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Larvas como assistentes do cirurgião
Tratamento de
feridas crônicas
Martin Angelstein
“Elas
estão com fome — isso é muito bom”,
diz Heinrich Licht
satisfeito quando estão lhe colocando
200 larvas na ferida
exposta no pé.
Para quem não está
acostumado é difícil presenciar esta cena
e é difícil imaginar
que assim se inicia
um tratamento médico
eficaz.
As larvas da mosca Lucilia
sericata (um tipo de mosca-varejeira) gostam exatamente daquilo
que causa um problema na ferida: o tecido morto que não cicatriza. Essas
larvas não possuem pequenos dentes. Elas liberam uma enzima que prepara o
seu “alimento” e ainda acaba com bactérias resistentes a antibióticos. A ferida
com os “inquilinos vivos” é coberta com gaze.
O paciente Heinrich Licht da cidade de Bad Hersfeld, na Alemanha, afirma: "Sinto uma coceguinha, mas
não sinto dor". Ele tem 79 anos e no pé direito sobram
apenas dois dedos. Há 10 anos ele sofre de uma doença arterial que causa
abscessos graves e quase lhe custou a parte inferior da perna. “Teriamos que amputar a perna
até o joelho”, confirma o cirurgião, Uwe Kamm. Após o
tratamento bem sucedido com as larvas, o paciente consegue andar sem
problemas e a ferida entre os dedos do pé está praticamente fechada.
Esta terapia especial para a “limpeza de feridas” também está sendo
praticada há dois anos na Universidade de Jena. O professor catedrático da
clínica dermatológica, Uwe Wollina explica: "As larvas limpam a ferida de maneira
bio-cirúrgica, sem ferir partes saudáveis”. Ele confessa: “O maior problema para os
pacientes e também para os meus colegas era, inicialmente, superar a
repugnância. Porém do ponto de vista médico, a terapia Maggot é, em muitos
casos, o procedimento mais cuidadoso”.
As larvas da mosca varejeira são cultivadas livres de germes em um
laboratório de Stuttgart. Em comparação com o método tradicional de limpeza
da ferida com bisturi e do combate à infecção com medicamentos realizam o
seu trabalho totalmente sem dor e sem efeitos colaterais. “As larvas trabalham de maneira
altamente seletiva, assimilando somente tecidos mortos, sem mexer nas
partes saudáveis”, diz o professor Wollina. Como nos tecidos
mortos não há mais fibras nervosas, o paciente não sente nada —
eventualmente um pouco de cócega quando uma larva atravessa sobre tecido
intacto. Após três ou quatro dias é efetuada a troca do curativo e das
larvas. As larvas — de apenas 2
a 3
mm da mosca varejeira verde cintilante — aumentaram
seu volume corporal agora em 10 vezes.O tratamento demora de 2 a 6 meses e pode ser
aplicado no ambulatório.
Evidentemente não se pode aplicar a terapia Maggot em qualquer caso. A
aplicação destes “bio-cirurgiões” é contra-indicada quando há uma abertura
corporal perto da ferida ou no caso de ferimentos agudos. É muito indicada
para feridas crônicas, como abcessos nas pernas do diabético ou escaras
(feridas crônicas, abertas no paciente que fica longos períodos deitado).
Como outros métodos de cura que já caíram no esquecimento, o tratamento de
feridas com a larva Lucilia
sericata não é nenhuma invenção da atualidade. Durante a guerra
de recessão norte-americana, os médicos nos campos de batalha observavam
que os feridos deitados a céu aberto apresentavam uma cura
surpreendentemente rápida, depois que moscas varejeiras haviam posto seus
ovos nas feridas. Também na 2ª Guerra Mundial os médicos usaram esse método
com sucesso. Somente no decorrer do desenvolvimento dos antibióticos a
terapia com a ajuda das larvas foi esquecida.
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Fonte: AP / TA
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