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Aspectos genéticos
e bioquímicos da criminalidade
William Walsh
Realizando pesquisas nos Argonne
National Laboratories, decidi com meus colegas fazer algo mais
do que escrever artigos que ficariam juntando pó em bibliotecas e seriam
lidos apenas por cientistas. Resolvemos participar de um trabalho
comunitário na área de crime e violência. Começamos na Penitenciária de
Statesville — uma das três prisões mais severas dos EUA, onde estão
indivíduos considerados extremamente violentos e incorrigíveis.
Acreditando que o criminoso é produto da sua vida passada e educação,
organizamos um programa de assistência nos moldes dos Alcoólicos Anônimos.
Já na saída da prisão, cada um recebe roupa e a indicação de um emprego.
Depois de trabalhar durante dois anos com dúzias de indivíduos violentos,
descobrimos que nossos conceitos estavam completamente errados. Percebemos
que essas pessoas eram diferentes do resto da população — e que a diferença
era fisiológica. Duas colheres de sopa (30 ml) de cerveja causam
deterioração dramática em sua personalidade e muitos apresentam graves
reações a açúcar, trigo e leite. Constatamos também uma incidência muito
elevada de eczema, acne e psoríase.
Iniciamos, então, com a ajuda dos computadores, uma busca de todas as
pesquisas publicadas no mundo sobre anomalias psicológicas, criminologia,
violência, psiquiatria avançada, hiperatividade, esquizofrenia etc.
Descobrimos uma revolução na saúde mental.
Criminologistas e sociólogos famosos falam sobre fatores psicológicos
(falta de amor, maus tratos, falta de disciplina) e fatores sociológicos
(pobreza, ensino fraco, superpopulação) que levam ao crime. Recentemente,
no entanto, eles têm dado mais atenção a fatores genéticos e biológicos. O
interesse maior é voltado aos desequilíbrios químicos. Estudos feitos no
Canadá mostram que chumbo, cádmio e outros tóxicos estão mais presentes em
pessoas violentas do que em pessoas normais. Também foi descoberto que
cromossomos anormais têm uma influência muito grande, sobretudo o
cromossomo XYY. Pessoas com esse cromossomo têm incidência 40% superior de
criminalidade.
Comportamento
criminoso com irmãos gêmeos
Enquanto 15 anos antes todos atribuíam violência e crimes a
lares dissolutos, ocorrências traumáticas ou maus tratos na infância, os
estudos científicos — principalmente os estudos de adoções — mostravam que
isso estava absolutamente errado.
Existe um banco de dados valioso na Escandinávia, com informação desde
1905, sobre crianças adotadas. O registro compreende mais de 100 mil
indivíduos com dados detalhados sobre os pais verdadeiros, a família de
adoção e a história dessas pessoas do berço até a morte.
Na Universidade da Califórnia reuniram informação sobre filhos masculinos
com irmãos que tiveram a mesma mãe e o mesmo pai, e também com irmãos de
pai desconhecido ou irmãos apenas por parte de mãe. As crianças eram
adotadas, viviam em lares diferentes e nunca conheceram seus irmãos ou pais
naturais. Os resultados foram impressionantes e mostraram que a
criminalidade não é apenas questão de experiência de vida. Tem algo a ver
com predisposição transmitida geneticamente.
O estudo de gêmeos fraternos e idênticos mostrou que a probabilidade da
pessoa ser condenada por algum crime durante sua vida estava normalmente ao
redor de 2,5% (uma pessoa em 40).
Entretanto, onde um gêmeo era delinqüente a probabilidade do gêmeo fraterno também ser criminoso era de 33%.
No caso de gêmeos idênticos (univitelinos) a probabilidade
subia para 69%.
Desequilíbrio bioquímico
Uma palestra do Dr. Carl Pfeiffer, que durante 20 anos
havia realizado estudos de esquizofrenia, mudou tudo o que estávamos
fazendo. Sugeriu que focalizássemos o metabolismo dos metais — principalmente
do cobre, zinco, lítio e cobalto. De pesquisas com oligoelementos ele
obteve muitas informações sobre as causas da doença mental.
Fizemos um estudo de irmãos escolhendo pares em que um irmão era
delinqüente e o outro, vivendo na mesma casa, perfeitamente normal e bom
aluno. Nas crianças violentas encontramos, invariavelmente, taxas anormais
de oligoelementos, como o Dr. Pfeiffer havia previsto.
Repetimos a experiência com um grupo bem maior de adultos e crianças. O
resultado foi o mesmo. A maioria dos indivíduos violentos apresentava um
desequilíbrio químico dos tipos A ou B.
Pessoas do tipo A apresentavam acessos de violência, mas após a explosão
sentiam remorso. Indivíduos do tipo B eram sempre desagradáveis e
perversos, segundo pais e professores. Não sentiam remorso, eram
anti-sociais — desde a primeira infância.
Indivíduos com personalidade do tipo A
Em termos de oligoelementos, o indivíduo do tipo A (infrator
ocasional) tem níveis extremamente baixos de zinco e níveis elevados de
cobre.
Cálcio e magnésio são ou muito altos ou muito baixos, nunca normais. Se
tiveram contato com produtos tóxicos, freqüentemente têm níveis muito altos
de chumbo e cádmio. O cádmio é um forte tóxico para o sistema nervoso e o
chumbo também afeta a função cerebral.
Os sintomas típicos são uma personalidade maravilhosa, comportamento
maravilhoso e, de repente, um episódio de comportamento terrível, pouco
controle do "stress", violência. Depois que o episódio de
violência acaba, ficam com muito remorso da sua falta de controle. Alergia,
acne e queimaduras de sol são constantes. Rendimento escolar baixo,
problemas de aprendizagem, dificuldade de atenção são muito comuns neste
grupo.
Como exemplo tivemos um garoto de nove anos de Tacoma, EUA. Ele vivia perto
da fundição de minérios Asarco
Smelter,
fonte de muitos tóxicos. Seu nível de cobre estava muito elevado, seu nível
de zinco muito baixo e a relação zinco/cobre era de 1 para 1, quando o
ideal é 8 a
12 por 1. A
deficiência de zinco torna o cobre muito tóxico. O cobre, um
elemento altamente irritante quando atinge níveis altos, provoca
hiperexcitação e comportamento irracional.
O menino foi acusado de tentativa de assassinato aos 9 anos. Já tinha
tomado 8 tipos diferentes de medicamentos e, no momento, tomava Ritalin.
Após um tratamento de quatro meses, o nível de cobre ainda estava elevado,
mas o nível de zinco começou a subir. Um ano mais tarde, seu exame de
cabelo mostrou níveis normais. Desde então, este garoto — que todo mundo
previa passar o resto dos dias numa instituição — terminou o colégio com
notas excelentes, participou de vários esportes e ganhou uma bolsa para a
universidade, onde se formou. Seu tratamento custou uns 20 dólares em
nutrientes durante um mês e meio. Depois, houve apenas ênfase na melhoria da
alimentação. Se esse resultado pudesse ser multiplicado aos milhares...
Na Universidade McGill, analisaram crianças com e sem problemas de
aprendizagem. Observaram que as crianças com problemas tinham níveis muito mais
altos de cádmio e taxas mais baixas de zinco do que as
crianças sem problemas. Muitas crianças delinqüentes e adultos
transgressores têm um histórico de problemas de aprendizagem na escola.
É possível identificar estes padrões já na criança pequena. Às vezes, o
laboratório que realiza a análise do cabelo chama os médicos para perguntar
se a criança apresenta problemas de comportamento. Os médicos ficam
admirados que os problemas possam ser determinados dessa forma.
Examinamos e tratamos centenas de crianças com problemas de comportamento e
percebemos que muitas também tinham dificuldades de aprender e eram
hiperativas. Muitas crianças do tipo A melhoraram de forma notável. Houve
diversos casos de crianças em classes especiais devido a baixo desempenho
ou hiperatividade, que, após alguns meses de tratamento, eram transferidas,
já normais, para as classes comuns — e um a dois anos mais tarde passavam
para classes de superdotados.
Alto teor de cádmio e chumbo
Após a publicação do nosso trabalho, fomos convidados a participar de
autópsias e perícias. O chefe de medicina legal de Oklahoma nos chamou para
realizar uma análise de oligoelementos no assassino P. Sherril após a
chacina no correio. Sua personalidade era do tipo A extremo. Seu desequilíbrio cobre / zinco era muito grave e seu nível de sódio estava abaixo do normal. O fator
mais importante era o nível elevado de cádmio e, principalmente,
o nível
muito alto de chumbo. A Universidade de Oklahoma apontou o
manuseio de munição como principal fonte de chumbo. Como campeão de tiro da
Guarda Nacional, P. Sherril se envenenou inalando o vapor de chumbo saído
da espingarda. Um desequilíbrio metabólico o tornara mais suscetível a
tóxicos.
Indivíduos com personalidade do tipo B
O tipo B costuma ser agressivo; briga constantemente, não tem consciência
alguma e sente absoluta falta de remorso. É um mentiroso patológico. Desde
a infância, muitas pessoas do tipo B sentem uma fascinação pelo fogo.
Freqüentemente são cruéis com animais e pessoas. Dormem apenas 3 ou 4 horas
por noite.
Indivíduos com personalidade sociopática do tipo B (infrator permanente)
são os mais assustadores, desde pequenos. São exatamente o contrário quanto
ao nível de cobre. Em vez de ser extremamente alto como no tipo A, o nível de cobre é extremamente baixo e os níveis de sódio e potássio
são elevados. Também tendem a ser sensíveis a tóxicos e os níveis de chumbo
e cádmio, cálcio e magnésio costumam ser altos, enquanto os níveis de zinco
e manganês são baixos.
Charles Manson, o famoso assassino, nos convidou para fazer um teste. Seu nível de cobre
é um dos mais baixos que constatamos em 150.000 pessoas
examinadas.
Nível altíssimo de cádmio
James Huberty, que atirou em 24 pessoas no McDonalds, em Ysidro,
Califórnia, era um tipo B clássico. Seu nível de cádmio era o mais alto que encontramos num ser
humano.
Esta informação, de certa forma, confortou a família — ele não era louco,
mas estava sendo afetado pelo nível anormal desse neurotóxico, adquirido
trabalhando durante 19 anos soldando ligas muito ricas em cádmio. Era um bom
pai até dois anos antes do massacre. Foi encaminhado para tratamento
psiquiátrico mas, como de costume, começou a receber medicamentos fortes e
sua bioquímica não foi levada em consideração, apesar do seu histórico
médico e uma cirurgia renal indicarem envenenamento por cádmio. O médico
legista chamou a atenção para o fato de que o cádmio é uma substância letal
que provoca morte por falha renal. Quando examinaram o histórico de J.
Hubert, verificaram que havia estado no pronto-socorro duas vezes nos meses
antes da chacina no McDonald’s devido a falha renal. Escreveu n o pedido de
demissão do trabalho que os vapores da solda o estavam enlouquecendo.
Isso também vale para agrotóxicos e produtos químicos — tudo o que é
tóxico para o organismo humano se torna muito mais tóxico ainda na presença
do cádmio.
Nos cigarros há cádmio — na realidade, são a maior fonte de cádmio na nossa
sociedade. Nos anos 20 e 30, as mulheres começaram a fumar e o cádmio
começou a passar para o tecido da placenta, onde ocorre o primeiro contato
do feto com essa substância. O cádmio interfere na absorção e utilização do
zinco pelo feto, o que pode continuar e aumentar após o nascimento, quando
o bebê é exposto aos níveis de cádmio do ar ambiente. Portanto, existe uma
relação entre cádmio e fumaça de cigarro e os problemas de comportamento e
aprendizagem.
O café é a segunda maior fonte de cádmio. Farinha branca refinada é outra
fonte importante, porque o zinco protetor é removido dos grãos, enquanto o
cádmio, no centro, permanece.
Nível alto de manganês
O manganês pode ser outro fator de violência, segundo um estudo
da Escola de Medicina Irvine, da Universidade da Califórnia. Descobriram
que infratores que apresentam mais que 7 ppm de manganês no cabelo tinham
um histórico de violência. Querendo comprovar os resultados, fizerem uma
pesquisa comparando a população normal com uma grande população de presos.
Descobriram que havia muito mais manganês entre a população criminosa que
entre a população normal.
Médicos homeopatas conseguem bons resultados na remoção de metais tóxicos
do organismo. Normalmente, após um ano de tratamento, seus pacientes
apresentam níveis muito baixos de elementos tóxicos no exame dos cabelos e
significativa mudança de comportamento.
Nível de lítio na água
Outra fascinante correlação existe entre o nível de lítio da água potável e
o crime, o suicídio e a dependência de heroína (mas não a dependência de
maconha e o consumo de álcool).
A taxa de suicídios, homicídios e estupros é significativamente mais alta
em municípios com água potável contendo pouca quantidade ou nenhuma de
lítio. Em outro estudo, nenhum prisioneiro testado apresentava mais que
0,12 ppm de lítio, mas a maioria dos habitantes tinha níveis mais altos. O
lítio parece contrabalançar os efeitos do manganês e prevenir o
comportamento violento que ele provoca.
Albuquerque, no Novo México, apresentava os índices mais elevados de
criminalidade nos Estados Unidos no início da década de 70, quando
Alexander Schauss era encarregado da vigilância dos indivíduos após sua
libertação da prisão. Ao ler estudos mostrando que as taxas de assassinato
e os níveis de lítio na água potável são inversamente proporcionais, ele
sugeriu a adição de lítio à água de Albuquerque para reduzir a taxa de
criminalidade. Sua sugestão foi inicialmente recebida com descrença.
Entretanto, a Universidade da Califórnia confirmou a correlação entre baixo
teor de lítio e crime e também indicou a sugestão de Schauss como solução
possível onde á água contém pouco lítio.
"Pegamos pessoas
que o sistema judiciário considerou impossíveis de reabilitar e tratamos
alguns, enquanto demos placebo para outros. Os resultados foram inacreditáveis, em termos de diminuição
considerável da taxa de reincidência daqueles que tratamos." É
preciso lembrar que, na Califórnia, cerca de 90% de todos os egressos do
sistema penitenciário voltam à prisão no prazo de cinco anos, devido a nova
infração.
O programa para réus primários da Universidade do Novo México, iniciado por
Schauss e outros, recebeu em 1989 um prêmio especial de uma associação
nacional de psiquiatria e foi nomeado "o programa de reabilitação mais bem-sucedido dos EUA". Após quase 20 anos, apresentava uma taxa de
reincidência abaixo de 5%, fazendo jus ao prêmio recebido.
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Fonte: revista
Townsend Letter for Doctors, setembro 1992
e Junho 1993
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