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Zona de guerra
Susan Stockton
Há
alguns anos trabalhei muito como professora substituta. Entrar numa sala de
aula de primeiro grau era como entrar numa zona de guerra. Na hora do
intervalo, escutava as reclamações dos professores a respeito do
comportamento e do aproveitamento didático dos alunos. Eles discutiam as
possíveis causas e a conclusão invariável era a influência da televisão — a
violência. "Televisão,
realmente — pensava comigo mesma —, mas certamente tem tanto a ver com a irradiação
do televisor quanto com a programação (os raios X emitidos pela televisão
colorida podem provocar fadiga, dor de cabeça, perda de sono e
hiperatividade em crianças que passam tempo excessivo em frente a ela). E,
que tal outros fatores importantes como alimentação, luz, cor?"
O
elo da luz
A maioria das salas de aula, como outras instituições, é iluminada por
lâmpadas fluorescentes. O fotobiólogo John Ott demonstrou claramente os
efeitos perniciosos desse tipo de iluminação no comportamento e no
aproveitamento escolar dos alunos. O comprimento de onda das lâmpadas
fluorescentes é completamente diferente do comprimento das lâmpadas comuns
de espectro completo. Este desequilíbrio de freqüências tem o mesmo efeito negativo
que um desequilíbrio de nutrientes.
Os alunos das salas de aula em que eram usadas lâmpadas de espectro
completo melhoraram na freqüência e no comportamento, assim como na
concentração e no aproveitamento escolar.
Hiperatividade
colorida
Há também o aspecto da cor: na minha época, as salas de aula e os
corredores eram pintados de um verde claro "institucional". Na
última vez em que fiz uma substituição, os corredores estavam enfeitados de
laranja, rosa e vermelho brilhantes. As cores frias (como azul e verde) são
calmantes, enquanto as quentes (como vermelho e laranja), estimulantes.
Elas também podem favorecer comportamento agressivo e agitação.
A
questão da alimentação
Merenda escolar, como comida de hospital, é reconhecidamente inadequada.
Hoje em dia, a maioria das instituições (e dos lares) faz amplo uso de
comida processada. Procedimentos como refinação, pasteurização e
irradiação, usados no preparo da comida processada, diminuem seriamente os
nutrientes que os alimentos contêm. E o pior é que os alimentos já chegam pobres nas
mãos dos processadores.
O
fundo do poço
A má qualidade do solo provoca colheitas pobres em nutrientes que, por sua
vez, resultam em corpos e mentes fracos. Uma alimentação deficiente em
nutrientes — especialmente minerais — conduz à doença física e à
aprendizagem difícil, bem como a um comportamento anti-social e até
violento. Não é coincidência que haja um aumento das doenças degenerativas
e do crime, ao mesmo tempo em que há um declínio do QI e da qualidade
nutricional, tudo isto está ligado. O elo inicial da corrente está no
empobrecimento do solo.
Cena
do crime juvenil
Nos últimos 10 anos, o número de menores de 18 anos que foram presos por
homicídio mais do que dobrou. De acordo com estatísticas do FBI, cerca de
300 parricídios (o assassinato de pai e mãe) acontecem anualmente. Menores
de 18 anos representam 17% das prisões registradas, 33,3% são prisões por
crimes contra a propriedade e 16
a 17% são prisões por crimes contra a pessoa. O
reitor do Departamento de Criminologia da North Eastern University, EUA, previu
que no ano 2005 haveria cerca de 5.000 assassinatos por ano cometidos por
adolescentes.
Esta taxa crescente de crime violento entre os adolescentes não é resultado
de drogas, lares desfeitos ou pobreza, mas de desnutrição. Esses jovens
apresentam típicas deficiências de minerais como lítio, cromo e vanádio e
têm tendência a desenvolver um desejo exagerado por sal ou açúcar. Ao
satisfazer o desejo com sal e açúcar comercial, o problema aumenta, porque
sal e açúcar refinados roubam do corpo os minerais necessários para
metabolizá-los, aumentando, desse modo, a deficiência. Esse desejo é
ocasionado pela deficiência de minerais e só pode ser corrigido pela suplementação
do mineral que está faltando. Não é possível resolver o problema com outro
tipo de nutriente.
A
solução final
A solução final para o problema da desmineralização, no entanto, não é a
suplementação. É a recuperação do solo. Precisamos abandonar o uso de
fertilizantes e pesticidas químicos, que "prendem" os minerais do
solo e envenenam tanto o solo como nossos corpos. Um estudo de 1993,
conduzido pelo Grupo de Trabalho do Meio Ambiente, verificou que, aos 5
anos, uma criança norte-americana já consumiu mais pesticidas do que é considerado seguro para
uma vida inteira. A resposta para o problema das pragas é
modificar a terra
— de um solo que produz plantas doentes e pobres em nutrientes para um solo
que produza plantas saudáveis e densas em nutrientes —, porque os insetos
só se alimentam das plantas doentes.
Depois
da escuridão
Quando a remineralização do solo for uma realidade, podemos começar a
reverter a espiral que leva esta civilização para baixo. Como dizia
Hamacker, saúde, comportamento, inteligência, até mesmo padrões
meteorológicos — e sobrevivência — são, em última análise, determinados
pela saúde do solo que, por sua vez, depende de microrganismos. Saúde e
sobrevivência, portanto, não significa conquistar os micróbios, mas
alimentá-los. O que fazemos com eles, fazemos a nós mesmos.
Taxa crescente de crime, agitação social, diminuição de QI — tudo isso está
relacionado com o desaparecimento dos microrganismos — resultado da
tentativa do homem de conquistar e controlar a Mãe Natureza, ao invés de
honrá-la e trabalhar em harmonia com suas leis. _____
Fonte: Carta para a revista Townsend
Letter for Doctors & Patients, Agosto/Setembro, 1996
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